Belinda Bauer - O túmulo sob as colinas



Sinopse: Apesar de cavar buracos quase diariamente na charneca de Exmoor à procura de um cadáver, Steven Lamb sempre quis ser um garoto normal. Porém, decidido, ele deixa as brincadeiras de lado e segue com sua pá para tentar encontrar o corpo de seu tio Billy, assassinado há 19 anos. Embora nunca o tenha conhecido, Steven sabe que sua família só poderá ser feliz quando encontrar o corpo desaparecido. Para descobrir o paradeiro dele, Steven decide escrever ao prisioneiro Arnold Avery, principal suspeito do crime. É o ponto de partida de um arriscado jogo de gato e rato entre uma criança desesperada e um perigoso serial killer.

Ano: 2013
Páginas: 320
Idioma: português
Editora: Record
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O QUE DIZER desse livro, que é uma comovente mistura de suspense e drama familiar? Eu comecei a lê-lo despretensiosamente, sem esperar muita coisa. No início, a trama toda me pareceu insípida, com personagens tão cinzentos, frios e insossos quanto as tais charnecas geladas e úmidas onde se passa a história. Steven é um menino de 11 anos que, ao contrário dos demais da sua idade, anda pelas charnecas com uma pá na mão, buscando, buscando, buscando sempre. O quê? O corpo - o esqueleto, talvez - do seu "tio Billy", ou William Peters, irmão de sua mãe que desapareceu há 19 anos, deixando um grande buraco na pequena família, e sua avó, a assim chamada "Pobre Sra. Peters", inconsolável.

De repente, Steven resolve que precisa se comunicar com o assassino de seu tio, o psicopata e pedófilo, Arnold Avery: aqui a história começa a ficar tensa.


Não é exatamente um romance de suspense como a maioria dos livros em que há a um mocinho e um bandido, este é focado principalmente nos pontos de vista do menino, Steven (e sua busca pelo corpo do tio Billy) e do assassino - que está preso no início da história. Mas há uma boa dose de medo e tensão: A narração varia entre os desejos, sonhos, pensamentos e objetivos dos dois, mas quando mergulhamos no drama psicológico da criança é que nos sentimos tristes, ao sermos arrastados para o seu pequeno mundo composto pelo irmãozinho mais novo (favorito da mãe), esta e a avó, a "Pobre sra. Peters". A vida do pequeno Steven combina com o lugar onde mora: a tal charneca de Exmoor, gotejante de umidade, fria, batida por ventos e quase deserta, exceto pelas relvas cinzas, urzes e tojo.

Steven é pobre, usa roupas surradas e meias tricotadas pela avó. Quase sempre suas roupas melhorzinhas são de segunda mão e os lanches que leva à escola, são simples sanduíches sem gosto. Ainda assim, é perseguido por um bando de garotos maldosos, como se não bastasse já todo o sofrimento que ele carrega pela decomposição de sua família: não tem pai, sua mãe o ignora, sua avó vive para o passado e no passado. Seu irmão mais novo é seu amiguinho, mas faltam muitas peças nesse quebra-cabeças de dramas familiares para que Steven se sinta feliz.



Afinal, ele decide que se "encontrar o corpo do tio" fará com que sua avó volte à realidade, consiga "enterrar" de vez suas lembranças e pare de se debruçar à janela, onde todos os dias parece esperar o filho desaparecido retornar à casa. O que Steven não previa, é que nessa busca pelo corpo do tio vai é se deparar com o próprio demônio, o diabólico psicopata Avery que, com suspiros de prazer, receberá suas cartas na prisão.

A história é composta de dois mergulhos: um, na cabecinha inconformada, inocente e desesperada de uma criança, que quer de qualquer jeito ter uma família "normal". Quer sua mãe carinhosa. Quer sua avó como a maioria das avós, terna, meiga, preocupada com seu bem-estar. Quer um pai. Quer arrancar de vez a mácula do drama, da morte e da perda do seio deles. Outro mergulho, é na cabeça vil do psicopata. Aqui, o texto é mais denso, repulsivo como o pus escorrendo de uma ferida infeccionada.

Não é difícil ficarmos presos à trama pela simples esperança de ver os sonhos de Steven se realizarem, embora isso se torne mais e mais longínquo a cada página. Entretanto, esta é a boa sacada da autora, que tece uma história de muito suspense mesclada ao drama de uma família infeliz, à qual queremos ver unida e recomposta -- após algum desfecho de solução fácil.

A solução e o desfecho, porém, são complicados...


Um ótimo livro para quem está cansado de histórias detetivescas clássicas e se comove com dramas psicológicos.


Coelho Neto - Apólogos - contos para crianças


João persignou-se e, subindo para a carreta, tocou o animal fugindo daquele sítio malsinado, lembrando-se do ambicioso desejo do vizinho, que Deus satisfizera: «Tanto ouro, tanto! Que ele e a sua gente, dia e noite, contando-o, não chegassem, ao fim da vida, a saber a soma exata da fortuna.» E ali tinham eles o ouro: poeira, somente poeira." 

Obs.: Por enquanto, o domínio público (site do governo federal) só disponibiliza o PDF em imagem da maioria das obras do grande escritor Coelho Neto. E nem mesmo em sebos encontramos seus livros. 

Portanto, infelizmente o arquivo que aí temos é no português do século XIX, sem revisão. Uma lástima, já que Coelho Neto é um dos nossos maiores escritores e foi um dos prosadores mais lidos da sua época. O PDF que se segue é uma magnífica coletânea de pequenas histórias para crianças e um tesouro de textos que poderiam ser lidos e utilizados por pais e professores.


HQ King Kong, nº1 [Che Guavira]



Obrigada de novo ao Che Guavira, com seu empenho e incansável trabalho de resgate. 

Adorei King Kong desde o primeiro filme em preto e branco, depois nos sucessivos filmes. Minha infância foi cheia de imagens de aventuras com o gorila gigante invadindo as cidades, enquanto eu me via na pele da mocinha -- a tal, que King Kong segurou nas manoplas e olhou com carinho. ;D

Esses HQs são pura saudade! Tempo bom, que embora não tivéssemos internet, nem redes sociais, nem blogs, nem Netflix ou TV a cabo, éramos, talvez, mais felizes. Ou talvez porque éramos crianças. O fato é que essas revistinhas faziam (até hoje fazem) a maior alegria da galera adolescente.

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