Stephen King - Novembro de 63

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Novembro de 63 - Stephen King
A vida pode mudar num instante, e dar uma guinada extraordinária. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine. Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque... mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado... com consequências imprevisíveis. Em Novembro de 63, livro inédito de Stephen King, a viagem no tempo nunca foi tão plausível... e aterrorizante. 

Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788539005277
Ano: 2013
Páginas: 736
Tradutor: Beatriz Medina

O QUE ACHEI:
Acho que esse livro foi uma das maiores ambições de S. King, escrever sobre uma viagem no tempo com todas as suas implicações morais, vitais, sociais, paradoxais e psicológicas.. E realmente, tal ambição se realizou ampla e perfeitamente. O livro ficou como sempre fica a maioria de suas obras: Intenso, profundo, cheio de ação e adrenalina sem descurar do perfil psicológico dos personagens, sempre bem trabalhado. E sem esquecer suas vidas familiares e o contexto social, igualmente bem trabalhado e descrito.

O personagem Jake Epping é um dos melhores que já conheci do panteão de mitos de SK, fora Bill Gaguinho da famosa saga "It" (A Coisa). É um personagem que reúne em si as melhores qualidades de um ser humano normal, mais as qualidades levemente ilusórias de um herói livresco: Jake é um homem honesto e tranquilo, sem ser medíocre; classe média baixa sem ser vulgar, promíscuo ou malandrão; de inteligência média, porém sempre esperto e atento, sabendo o momento certo de agir e o que fazer quando a situação está fora de controle. E, finalmente - boa notícia para as românticas e românticos de plantão - Jake é um homem que tem um grande coração. E que se apaixona. Perdidamente, diga-se de passagem. Não é o personagem que todos gostariam de encontrar nos livros? Talvez para a maioria dos leitores, ao menos.


A saga do livro é realmente de tirar o fôlego: Ficamos o tempo todo esperando que Jake consiga chegar lá e realizar sua missão, mas sofremos junto com ele e com seu amigo Al, que foi o primeiro a realizar a tremenda empreitada, porém sem sucesso... ele passa a bola para Jake. A tal fenda 'temporal' tem suas esquisitices, entretanto e há vantagens e desvantagens em algumas dessas esquisitices. Uma das frases mais frequentes de Jake, no livro, é "O passado não quer ser mudado". E o passado, realmente, tem suas razões para não ser mudado.

O que vai ser bem duro para Jake descobrir! Em primeiro lugar, ao adentrar o "túnel do tempo" ele sempre "cai" no mesmo lugar e mesma época, 1958. Portanto, para salvar o presidente Kennedy ele terá de passar os próximos cinco anos por lá mesmo, sem poder retornar a 2011 (seu presente), pois se retornar e adentrar o túnel de novo, não importa o tempo decorrido no passado, ele volta sempre para 1958. Bem, só isso já dá muito o que pensar, não é? É como uma tremenda engrenagem que está sempre retornando ao mesmo ponto inicial, um computador defeituoso que, por mais que você salve um documento (no Word, Excel ou qualquer outro programa), a cada vez que reiniciar verá que o documento está... sem salvar. Ou seja, parado do mesmo jeito que estava antes do computador "dar pau" (e isso é horrível, já me aconteceu). Então Jake vai para 1958 e sua primeiríssima missão é tentar salvar a família de seu aluno, o idoso e mentalmente atrasado Harry Dunning que - segundo Jake soube pelo próprio Harry, através de uma redação - fora massacrada pelo próprio pai dele, restando apenas Harry. 

Um dos aspectos mais interessantes da narrativa é a ambientação: Já notei como King se sente confortável narrando a vida e as cidadezinhas do Maine, nos anos 1950-1960 (acho que época de sua infância). E ele deveras consegue surpreender e nos levar para dentro daqueles cenários românticos e daquele clima mais light, naquela época em que fumar era considerado elegante e moderno, as mulheres mais felizardas eram as que se casavam e se tornavam honoráveis donas-de-casa e boas cozinheiras, os homens durões eram os maiores heróis das histórias, a cerveja era encorpada e saborosa (segundo ele, pois eu não bebo!) e o leite era puríssimo (não a água branca que tomamos hoje em dia). 


Ah, sim... época feliz, saudosa, em que os alunos eram obedientes e tinham um respeito enorme pelos professores e as mocinhas usavam rabo-de-cavalo e saias rodadas!


E aí começam as loucas aventuras de Jake... Um livro enorme (736 páginas) que você vai ler quase sem parar. E torcendo para que Jake consiga seu intento, seja qual for desde que as coisas fiquem bem para ele e para Sadie (alguém que vai aparecer na sua vida e a tornará mais bonita). 

Outra curiosidade do livro: A saga de Jake também tem ligação com a da turma dos perdedores, do livro A Coisa. Ou seja, na sua viagem pelo passado, Jake ficará conhecendo a sombria cidade de Derry, onde A Coisa (ou o Palhaço Parcimonioso) vive e espalha o terror. Aliás, até ficará conhecendo a Beverly menina...

O final é imprevisível e digno do mestre do terror e do suspense, embora para a maioria dos leitores talvez não seja o ideal... Muito bom mesmo, um livro que liga de forma indireta esse romance a outros, já escritos por King, como A Coisa, Sob a Redoma e Christine. O livro já ganhou um prêmio em 2012, o de Melhor Thriller, no Los Angeles Times Book Award. Enfim, um livro imperdível para os fãs do gênero sobrenatural!

John Katzenbach - O Analista

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O Analista - John Katzenbach
Dr. Frederick Starks, um psicanalista de Nova Iorque, acaba de receber uma carta misteriosa e ameaçadora. Agora ele se encontra no meio de um terrível jogo criado por um homem que se autodenomina Rumplestiltskin. As regras são as seguintes: em duas semanas, Starks deve descobrir a identidade do seu perseguidor. Se conseguir isso estará livre. Se falhar, Rumplestiltskin destruirá um por um, cinqüenta e duas pessoas ligadas a Starks - a não ser que o bom doutor concorde em se matar. Em uma corrida eletrizante contra o tempo, ele está à mercê de um infernal jogo de vingança de um psicopata. Precisa encontrar uma forma de deter o maníaco - antes que ele mesmo fique louco...


Edição: 2
Editora: Novo Século
Ano: 2013
Páginas: 464

O QUE ACHEI:
Um thriller que realmente nos prende à cada página! Assim que li a sinopse eu 'pressenti' que ia gostar do livro e não me enganei: Todo suspense psicológico me fascina e eu não consigo parar de pensar na história. O termômetro que mede a minha "fascinação" por um livro é o quanto penso nele, quando paro de ler. O quanto fico analisando os fatos, os diálogos e os personagens e o quanto me identifico com os protagonistas, o quanto torço pelo sucesso deles ou, ao contrário, o quanto torço pela derrocada dos 'vilões' (quando a história os tem).

Em "O Analista" eu não cheguei a me identificar com o Dr. Starks e o início pode parecer levemente cansativo, com toda a lengalenga de um cérebro médico, que só consegue pensar e agir como tal. Mas a certa altura da trama - pouco antes da metade - há uma reviravolta total. Quando as saídas, todas as saídas pensadas pelo psicólogo, se mostram inúteis e todas as suas reflexões sobre o caso mostram-se enganosas. A certo momento, Jack para de pensar como o acomodado médico, acostumado a uma rotina imutável e apenas a deixar os outros falarem. Ele pressente o perigo iminente e nota que o psicopata que o persegue não é um assassino louco qualquer: É alguém que tem um método, tem dinheiro e tem todo o vigor de uma mente louca mas bem focada em seus objetivos. E bem mais que a dele...


A partir daí o livro se transforma. Da metade em diante o acomodado homem de meia idade se torna um homem mais agitado, mais estressado, mas também muito mais hábil em seu método de ação. Mais ativo, realmente. Muito ativo e preparado para o que der e vier, após tomar sua decisão: Lutar por sua vida (o que lhe restava dela, o que não era muito... mas que ainda podia se transformar em uma mais vida produtiva) ou simplesmente desistir. E quando ele toma sua decisão, a coisa toda vai mudando. Não será fácil, aliás será terrível... O médico vai comer literalmente, o pão que o diabo amassou.

Uma trama bem envolvente, um romance em que suspense, dramas pessoais, quebra-cabeças psicológicos e ação vão dar o tom da história. Não é apenas uma história de mistério, é muito mais que isso. Vale cada centavo pago por esse ótimo bestseller.

Henry James - A outra volta do parafuso

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Uma volta meio esquisita...

A Outra Volta do Parafuso é um excepcional conto de horror. No século XIX, governanta inglesa chega a uma mansão no campo para cuidar de duas crianças e descobre que elas podem estar sendo manipuladas pelo espírito de dois empregados.

Editora: Abril
Ano: 1972
Páginas: 289 (edição dupla com o conto "Lady Barberina")
Tradutor: Leônidas Gontijo de Carvalho e Brenno Silveira

O QUE ACHEI:
Primeira leitura que eu fiz: 1981. Livro da Ediouro, formato pequeno e adaptação para jovens, porém que dava certa ideia da dimensão da história.

A primeira vez que li até que gostei, embora o final tivesse me decepcionado e os aspectos psico-sociológicos do conto me tivessem fugido completamente.

Agora, a releitura e um aspecto que todos os resenhadores citam e com o qual, sinceramente, eu ainda não tinha me deparado: Os fantasmas seriam "reais" (se é que se pode admitir como realidade uma existência não-física) ou seria o caso da preceptora um simples caso de esquizofrenia paranoica ou similar?

ATENÇÃO, para quem não leu, a partir daqui revelações do conteúdo da trama.

Enculcada, prossegui na leitura em busca de uma solução, um vislumbre de provas cabais da existência fantasmagórica de Jessel e Quint, etc. e tal.

Pois bem, em momento algum da trama o esperto Henry James deu indício algum de realidade, como também não aponta nenhum dedo acusador contra a preceptora, como poderia se dar através da Sra. Grose - naquele momento da trama em que a boa senhora, seguindo a "senhorita" através dos bosques, vai em busca da pequena Flora que tinha sumido de casa. E que foi encontrada por ambas do outro lado do lago, enquanto o fantasma de Jessel surgia perto, sendo visto apenas pela governanta, embora a pobre Sra. Grose e a menina tentassem avistá-la...


Isso para mim é a maior prova da insanidade da moça, embora o fato de que o rapaz que lê seu diário (o Douglas do início do conto) nada mencione. O que se deduz é que, se a moça fosse alienada ou tivesse tido algum tipo de distúrbio durante sua estada em Bly, isso deveria ter sido mencionado depois - já que, segundo o próprio Douglas, ela trabalhou como preceptora de seu irmão, certamente após sua saída de Bly.

Entretanto o mais provável dessa história é que se  trate meramente de um truque psicológico de James, para "dar um toque exótico" à uma história que, de outra forma seria criticada como previsível e insípida. E com certeza é isso mesmo: Meros truques para deixar o leitor sempre em dúvida... Quem seriam os inocentes nessa história? Os fantasmas estariam mesmo lá? Flora e Miles seriam mesmo duas "crianças más", reagindo aos adultos com astucioso fingimento ou isso era um delírio da governanta?


Mais um livro que deixa tudo "para que você decida". Detalhe e dica: Há o filme "Os Inocentes", de 1961, dirigido Jack Clayton e roteirizado por Truman Capote. Tem Deborah Kerr como Srta. Giddens (a jovem governanta, que no livro não tem nome) e com uma atuação excelente, segundo as críticas. O filme sugere fortemente uma obsessão de cunho mais ou menos sexual (o que a meu ver configura um tom de pedofilia) da jovem governanta pelo menino Miles. Isso põe de lado qualquer dúvida a respeito da sua "loucura". Talvez seja só isso mesmo. Simplista e insosso para um conto de terror (o sobrenatural para mim é indispensável). Mas dizem que o filme é muito bom...

O livro? Bem escrito e, sob meu ponto de vista, com uma história muito superficial e mais psicológica que sobrenatural, mas vale como leitura de um clássico da literatura inglesa que, embora deixando a desejar, sempre pode entreter e dar a conhecer o estilo desse famoso escritor.

Filme: O Despertar (The Awakening)

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O Despertar, do original inglês: "The Awakening"

Em 1921, a Inglaterra sofre com as perdas e o luto deixados pela I Guerra Mundial. A cética Florence Cathcart, especialista em desvendar fenômenos paranormais, é chamada para visitar um pensionato e explicar as visões do fantasma de uma criança. O caso, porém, colocará em dúvida tudo aquilo em que ela pensou acreditar até então.

Gênero: Suspense
Ano: 2011
Duração: 107 minutos
Origem: Reino Unido
Distrubuidora: PlayArte Pictures
Direção: Nick Murphy
Roteiro: Stephen Volk e Nick Murphy

Elenco:
Rebecca Hall
Dominic West
Imelda Staunton
Lucy Cohu
John Shrapnel
Diana Kent
Richard Durden
Alfie Field
Tilly Vosburgh
Ian Hanmore
Cal Macaninch
Isaac Hempstead Wright
Anastasia Hille
Andrew Havill
Joseph Mawle.

O QUE ACHEI:
Eu estava terminando uma releitura de "A Outra Volta do Parafuso" de Henry James e ainda um pouco contrariada com o rumo do conto, procurava na net algumas opiniões, resenhas e análises da história. Deparei-me com um blog ou site onde, por simples acaso, um comentário mencionou esse filme, junto com "Os Outros" (do diretor Amenábar). "Os Outros" eu também assisti há cerca de três ou quatro anos e, céus e céus, que filme arrepiante! Então pensei: Se esse filme, The Awakening, for da mesma qualidade de "Os Outros" quero ver e logo!

Pois é, assisti... E o quanto gostei imensamente! 
O suspense tem todo o clima tenso, sombrio e gótico de "Os Outros", "A Mulher de Preto" (baseado  no  livro de Susan Hill) e mesmo de "Os Inocentes" (filmagem do conto citado de Henry James). Em todos esses roteiros há a mesma 'sombra', um quê de sobrenatural, irreal, fantasmal, abissal. Ou seja, o leitor ou espectador sente arrepios que vão além do simples susto ou da náusea dos filmes de menor categoria.



Em "O Despertar" vamos conhecer uma trama bastante similar à do livro "A Outra Volta do Parafuso", com praticamente os mesmos elementos que caracterizam essas obras de terror gótico mais profundo: Uma mulher em perigo, um casarão mal-assombrado, uma governanta 'bem intencionada', um (ou mais) fantasmas e... aham, um clima de terror psicológico que é mais violento do que uma cena tipo terror-nojento de "Sexta-Feira Treze" ou "O Massacre da Serra Elétrica".

A jovem atriz Rebecca Hall interpretou com maestria a escritora cética, autora de um livro que fala de fraudes e rejeita o mundo espiritual e os fantasmas, principalmente. Mesmo assim, acaba sendo convidada pelo professor Robert Mallory, do internato de meninos Rookford, onde, segundo ele, as aparições de um pequeno fantasma (de menino, claro) é visto e até fotografado. Essas fotos só provocam em Florence um pequeno ar amuado e ela fala que existem muitas formas de se forjar aqueles tipos de "imagens fantasmagóricas" numa foto.

Ela reage com frieza e desprezo ao convite do homem, mas já nas primeiras cenas percebe-se que seu temperamento frio esconde uma mulher triste e frágil. Afinal, ela perdeu o noivo na guerra... 

A história prosseguirá e Florence irá a Rookford, onde conhece a governanta, Maud - uma senhorinha de rosto simpático adornado por um largo coque de cabelos cinzentos. Essa senhora estará em cena quase o tempo todo - e seu papel vai ser crucial na trama, podem crer.

Quanto a Rookford, é um casarão típico de filmes de assombração e assim que o vi, pensei: "Isso não é um internato, nem uma escola ou algo do gênero... dentro de um mausoléu desses é claro que devem existir fantasmas".


Enfim, o clima vai ficando tenso, denso e com todo aquele ar de terror inglês à la "A Assombração da Casa da Colina" (outro clássico do terror gótico, escrito por Shirley Jackson), enquanto algumas cenas são uma flagrante imitação de Henry James e seus inocentinhos Flora e Miles. Uma cena dessas é quando Maud, abraçando o menininho (lindo, por sinal!), afasta-se da histérica Florence e o garoto sai correndo de perto, acusando-a de ser "má" e dizendo que "a odiava". Não é uma cópia exata da cena em que a Sra. Grose abraça Flora e esta olha para a preceptora com raiva, dizendo que a odiava, enquanto a pobre "senhorita" histérica olhava para o fantasma da Srta. Jessel, perto do lago?


Pois é... o filme é intenso. E quando a gente chega próximo do final e se imagina uma porção de tolices (dá pra viajar na trama, tentando adivinhar o que é loucura e o que é 'fantasmagoria real', o que vai acontecer com Florence... quem vai morrer, quem não vai...), tcharam! Outras surpresas! Das mais ousadas, diga-se de passagem! Um final terrivelmente assustador, quase doloroso para quem assiste e se retorce na poltrona, pensando "céus, que horror... pobre mulher!". Uma surpresa para Florence - horrível. Uma constatação - um mergulho profundo em seu próprio inconsciente que guarda chaves do seu passado... E, afinal, as explicações finais. Mas quando estas chegam, ainda não é o final: Outra cena ainda mais dramática vai colocar todos nossos cabelos em pé!

E, bem na última cena, o suspiro da plateia comovida. Sim, em alguns momentos você até poderá chorar, pois o filme tem um drama oculto por trás de todas as cenas de terror fantasmagórico. Um drama familiar e pessoal que ninguém, em sã consciência, quereria viver. Ou relembrar.

Nota 10 para esse excelente filme! Top 10 dos melhores de terror-suspense! Recomendadíssimo!

Franck Thilliez - Gataca

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Franck Thilliez, Gataca... um vírus? Uma doença? Uma ilusão do ser humano?

O cadáver de uma jovem cientista descoberto na jaula de um centro de estudos de primatas, provavelmente espancado por um chimpanzé. Os restos mortais de uma família de neandertais, assassinada por um primitivo homem de Cro-Magnon, achados no topo de uma montanha nos Alpes. O assassino de crianças Gregory Carnot encontrado morto em sua cela, na cadeia. Um ginecologista especializado em genética selvagemente assassinado dentro de casa. Que elo invisível une esses crimes atrozes, cometidos com trinta mil anos de diferença? Os policiais Lucie Henebelle e Franck Sharko se lançam numa investigação em conjunto. Destroçados pelas terríveis experiências que compartilharam, devorados e estimulados pelo ódio, Lucie e Sharko seguem a trilha da Evolução das espécies, num suspense arrebatador que os conduzirá às origens do Mal. 

O QUE ACHEI:
Impressionada com o livro anterior e, por que não dizer, um pouco assustada também, eu queria saber o resto da história... Lucie Henebelle e Frank Sharko, uma dupla de policiais que, unida por um destino similar de tragédia e dor, parece estar chegando a um destino melhor.

Mera ilusão. O que acontece no livro anterior é o prelúdio de mais dor e tristeza na vida desses dois e mais uma vez, o destino parece lhes dar uma rasteira.

Quando o relacionamento deles parece que está a um passo da felicidade e do consolo mútuo, acontece outra tragédia...

Aqui termina o livro "Síndrome E". E começa "Gataca", já de cara trazendo aos leitores uma lufada de ar trágico, triste e deprimente. Porém, ao contrário do que possa parecer, isso não afasta o leitor. É um imã, pois nos instiga a curiosidade: O que vai acontecer agora com Lucie, após tanta dor e tragédia? E Sharko, vai sarar de sua doença mental (ele é esquizofrênico) e encontrar um pouco de paz? Mas... por quê recomeçam as lutas de ambos contra essa vida horrível, que parece ser a de policial, sempre correndo atrás de monstros psicopatas e sem tempo para si mesmos?

A trama é muito, muito intrincada, mas o leitor não vai se sentir desconfortável: Mesmo com todas as novidades científicas apresentadas por Thilliez (e, segundo ele, são em grande parte reais), a gente entende facilmente toda essa coisa de genética, síndromes, evolução, paleoantropologia, etc.

O casal Lucie e Franck irão investigar outros assassínios, desta vez envolvendo psicopatas de um passado remoto (pré-história, com um Cro-Magnon e uma família de Neandertais) e de hoje em dia, e embora separados, eles continuam a se encontrar, vez ou outra.

Lucie vai fundo na sua investigação, sempre apoiada de longe por Franck e... chegarão ao âmago da questão...

Um suspense total, do início ao fim, que não deixa o leitor largar o livro! Adorei esse novo autor de suspense médico-científico-policial. Nota 10!


Anne Rice - A Dádiva do Lobo

BY Jossi Slavic Genius IN , 1 comentário


A dádiva do lobo - As crônicas da dádiva do lobo - Livro 1 - Anne Rice

Na costa da Carolina do Norte, o jovem jornalista Reuben Golding prepara uma reportagem sobre a enorme propriedade do desaparecido Felix Nideck e acaba se envolvendo com a herdeira Marchent Nideck. Após algumas horas na mansão, porém, Reuben é atacado por uma criatura que o transforma em um lobisomem. Depois de tornar-se um tipo controvertido de herói na cidade, por ajudar quem está em apuros, Reuben precisa esconder-se da polícia, dos médicos e até da própria família, e aprender a lidar com suas novas habilidades. Primeiro livro da nova série da consagrada Anne Rice, A dádiva do lobo foi elogiado na imprensa americana.

O QUE ACHEI
Uma dádiva muito suspeita...

Muitos leitores assíduos de Anne Rice não pareceram aprovar com tanto gosto essa nova safra de livros da autora, após a imensa série de livros sobre vampiros e bruxas.



Os livros da série dos anjos também não está me parecendo muito popular por aqui... Mas enfim, vamos à essa nova série. Esse é o primeiro volume (que pena, odeio séries!).

Foge aos estereótipos do lobisomem, tanto das lendas quanto dos filmes e da literatura fantástica em geral: Os lobisomens que vão "rondar" a vida do jovem Reuben serão atípicos.

As primeiras páginas do livro são interessantes, nos levam à belíssima propriedade de Nideck Point e mostram um jovem e belo jornalista curioso e embevecido com a beleza local. O leitor também se há de encantar pela mansão, pelos bosques quase selvagens em torno, as sequoias imensas e... pelo mistério que parece pairar sobre todo aquele cenário bucólico e gótico.

Foi isso que me prendeu a um primeiro momento.

O prosseguimento da leitura, porém, foi jogando "água fria na fervura" e, ao contrário dos anteriores livros de Anne Rice onde os protagonistas eram presas do inexorável destino, dramáticos e aflitos, Reuben vai passando da aflição para uma serenidade estranhíssima - visto o que a tal "dádiva" vai lhe proporcionar.

Os mistérios da vida do ancestral de Marchent, Felix Nideck serão o ponto alto do livro: Os "cavalheiros" que aparecem nas fotos do distinto senhor, espalhadas pela mansão... livros antigos... e até placas com estranhos caracteres arcaicos, que deviam remontar à antiga Mesopotâmia.

Bem, até aí vai um suspense gostoso, uma instigante trama que nos faz pensar mil coisas. Depois, a coisa toda começa a se tornar maçante.



A certo ponto da leitura, já não há mais quase nenhum mistério... e suspense? Pouco. Uma cena de romance/ encontro entre Reuben-lobo e uma mulher é, como disseram vários leitores, surreal e absurda. E aos poucos, tudo parece ir perdendo o fôlego inicial, até que toda a poeira se assenta.

O final é quase previsível, sem grandes cenas dramáticas ou emocionantes.

Um livro que prometia muito e não foi lá essas coisas. Eu poderia até dispensar o próximo da série: Tudo vai depender das resenhas dos leitores.


Stephen King - A Coisa

BY Jossi Slavic Genius IN , , 2 comentários


Que coisa... que monstro... que criatura era aquela?

Nesse romance o mestre do terror nos leva de volta ao tempo em que acreditávamos mais em nossa imaginação, em nossos sonhos e também em nossos pesadelos... 
Junho de 1958. Derry, pacata cidadezinha do Maine. Início das férias de verão. Para Bill, Richie, Eddie, Stan, Beverly, Mike e Ben, sete adolescentes que, pouco a pouco, se tornam amigos inseparáveis, este será um verão inesquecível. Um tempo em que vão descobrir o doce sabor da amizade, do amor, da união. Uma época em que vão provar o gosto amargo da perda, do medo, da dor. Este será um ano inesquecível. Terrivelmente inesquecível. O ano em que vão conhecer a Coisa, a força estranha e maligna que vem deixando um rastro de sangue na calma Derry. O ser sobrenatural que apresenta um apetite especial por inocentes crianças.
Maio de 1985. O tempo passou deixando suas marcas em cada um deles. Já não são mais crianças. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir novamente suas forças. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. Apenas eles podem vencer o poder maléfico da Coisa. 

O QUE ACHEI:
Resenhar um livro - ou melhor, dois livros - desse porte e complexidade, é um tanto difícil. Não demorei para ler, mas até concatenar as ideias, juntar os fatos destacados em minha mente e analisar a obra, separando joio de trigo para dar uma ideia geral, não foi rápido nem fácil. Aliás, a leitura de Stephen King não é fácil também, já que ele não engloba apenas elementos do terror moderno, dos medos ancestrais ou da ficção fantástica, pura e simplesmente. Ele junta muito mais, ele fala de cultura, da arte pop, de música, de literatura, do povo norte-americano com todas as suas tradições, sua arte, sua cultura, sua história.

Esse livro, "A Coisa" (título original inglês, "It"), com várias publicações no Brasil (a capa acima é da Editora Francisco Alves S. A.), é um dos mais complexos e portentosos, prenhe de ação, terror, aventura e originalidade já escritos por Stephen King. Não vou me atrever a dizer que foi o melhor que li, pois dele li e fiquei totalmente envolvida - mais envolvida - com "A Hora do Vampiro" - mas é um dos melhores na opinião de seus inúmeros leitores brasileiros, estando sempre no topo da lista dos melhores desse autor.

Mas, afinal, o que tem "A Coisa" de tão inquietante e fabuloso, vocês me perguntariam... Bem, temos de tudo um pouco. Não é um livro fácil de entender, pois nas entrelinhas fica subjacente uma ideia que, tenho certeza, passa batida para a maioria das pessoas: A verdadeira identidade de A Coisa


Para começar, a história inicia lá atrás (1958) e são sete amigos, 7, o chamado "número mágico", "número da perfeição", "número divino", segundo muitas tradições magico-esotéricas. Os sete jovens, cujas idades deviam variar entre 11 e 14 anos, vivam numa pacata cidadezinha do Maine, Derry, onde  assassinatos brutais de crianças lançam susto e terror nas famílias locais.

O protagonista da história é Bill Denborough e o início já traz à tona a presença de uma entidade sobrenatural que será a responsável por uma tragédia na vida deste menino.

Com o correr da história, somos ora levados a 1958, ora ao "presente", 1985, quando os sete amigos já são adultos. Somos então apresentados aos sete já separados, cada um vivendo em uma cidade diferente e totalmente esquecidos do terrível ano em que viveram juntos, unidos por uma bela e profunda amizade e, também, pelo medo constante... o ano em que a Coisa surgira para todos eles, ameaçando-os, destruindo sua paz, colocando-os frente a frente com o inimaginável, com o terror supremo, o medo da morte, o medo da vida, o medo da cidade, dos conhecidos e, em alguns casos, medo da sua própria família...

Aqui Stephen King se supera em originalidade. A narrativa, embora nem sempre seja atrativa pelo suspense constante, é mais ou menos equilibrada. Em alguns trechos poderíamos bocejar, pois as descrições de Derry, de seus habitantes modernos e dos antigos, da vida urbana, do cotidiano de algumas famílias (e os personagens são inacreditavelmente numerosos nesse livro), é um tanto quanto cansativa. Mas apenas em alguns trechos.

O autor traça um perfil do norte-americano pobre dos anos 50, quando narra a vida dos sete amigos crianças, contando não só a história deles, mas a dos seus antepassados, pais, avós, bisavós. É um rico mosaico de cultura pop e história de cidades interioranas, de como viviam as famílias em suas casas humildes, sítios, fazendolas. O que mais me comoveu no livro foi o cuidado com que Stephen King tratou de duas temáticas interessantíssimas (que correm paralelamente ao tema central, o terror causado pela Coisa): O poder do amor-amizade e a história do racismo norte-americano.


Mike Hanlon é o menino negro do grupo dos "Perdedores", como eles são chamados (devido à rivalidade com o grupo de perseguidores maiores e mais fortes da escola, liderados por Henry Bowers). E a história da Coisa vai além da infância de Mike, quando seu pai lhe conta como era a vida dos negros americanos e do implacável ódio racista contra eles, nos anos 1930, 1940... Em alguns trechos precisamos fechar o livro, parar, refletir. Eu, sinceramente, me surpreendi: Nunca imaginei que o racismo lá (e no mundo inteiro, como sabemos que existiu e ainda existe) foi tão brutal. 

— Tivemos alguns problemas no início — contou meu pai, em outra ocasião. — Havia pessoas que não queriam negros na vizinhança. Nós sabíamos que ia ser assim — eu não tinha esquecido o Ponto Negro — e então nos limitamos a ficar quietos, a esperar. Surgiam crianças que jogavam pedras ou latas de cerveja. No primeiro ano, tive que trocar vinte janelas. Aliás, alguns dos que vinham por aqui nem eram crianças. Certo dia, quando nos levantamos, vimos uma suástica pintada na lateral do galinheiro e todas as galinhas tinham sido mortas. Alguém pusera veneno em sua comida. Foram as últimas galinhas que tentei criar.

“O xerife do condado, no entanto — naquele tempo, em Derry ainda não havia chefe de polícia, porque não era uma cidade grande o suficiente — começou a trabalhar no caso, e trabalhou duro. Eis aí o que quero dizer, Mikey, quando falo que aqui tanto há bons como maus. Para aquele xerife Sullivan, nenhuma diferença fazia a cor de minha pele e meu cabelo encarapinhado. Ele se pôs em campo meia dúzia de vezes, falou com pessoas e finalmente descobriu quem tinha feito aquilo. E quem você acha que foi? Pode tentar três nome, e os dois primeiros não contam!
— Não sei — respondi.
Meu pai riu até as lágrimas lhe saltarem dos olhos. Tirou então um grande lenço branco do bolso e as enxugou.
— Ora, mas foi Butch Bowers, quem mais poderia ser? O pai do garoto que você diz ser o maior brigão de sua escola. O pai é um monte de bosta e o filho é um peidinho.
— Alguns garotos da escola dizem que o pai de Henry é maluco — falei.
Creio que na época eu estava no quarto grau — tempo suficiente para já ter sido chutado algumas vezes por Henry Bowers, entre outras coisas... e agora que penso nisso, a maioria dos termos pejorativos para “negro” ou “preto” que já ouvi, saiu da boca de Henry Bowers, entre o primeiro e o quarto graus.
— Bem, pois eu lhe digo — falou meu pai, — que a ideia de Butch Bowers ser doido não está muito longe da verdade. Dizem que ele nunca mais foi o mesmo, ao voltar do Pacífico.  Butch esteve nos Fuzileiros. De qualquer  modo, o xerife  o  levou sob custódia e Butch berrava que aquilo era uma trama contra ele, que todos não passavam de um bando de apreciadores de negros. Oh, ele ia processar todo mundo. Parece que tinha uma lista de nomes, tão grande que se estenderia daqui à Rua Witcham. Duvido que Butch possuísse uma única ceroula de fundilho perfeito, mas ia processar a mim, o xerife Sullivan, a cidade de Derry, o condado de Penobscot e só Deus sabe quem mais.
“E quanto ao que aconteceu em seguida... bem, não posso jurar que seja verdade, mas foi como ouvi de Dewey Conroy. Dewey disse que oxerife foi ver Butch, na cadeia de Bangor. E o xerife lhe disse: ‘É hora de você fechar a boca e pensar um pouco, Butch. Aquele sujeito de cor, bem, ele não quer apresentar denúncia. Não quer enviá-lo para Shawshank. Ele só quer o valor das galinhas que perdeu. Ele acha que duzentos dólares compensariam.’
“Butch responde ao xerife que pode enfiar seus duzentos dólares onde o sol não brilha. O xerife Sullivan lhe diz então: ‘Eles têm uma mina de cal lá na Shank, Butch, e me disseram que depois do cara trabalhar nela dois anos, fica com a língua tão verde como uma bala de limão. Agora, você escolhe. Dois anos na mina ou duzentos dólares. O que acha?”
“Nenhum  júri   do  Maine   me  condenará’,   responde   Butch,   ‘não   por   matar  as galinhas de um negro!”

Esse é apenas um pequeno trecho, em que o pai de Mike conta a ele parte da sua história - que se confunde com a história do incêndio no Ponto Negro (bar onde os negros da época se reuniam, pois eram proibidos de frequentar bares e casernas dos brancos). É claro que a história de Butch e Henry Bowers tem a ver com a Coisa... Tudo o que mau, ruim, perverso em Derry tem a ver com a Coisa.

Mas o livro vai além. S.K. conta a história dos sete, revivendo a certos pontos a história da cidade de Derry, seus "monstros humanos", pessoas más, assassinos, bandidos, homicidas. E também conta a história particular de cada um dos sete amigos, de como eles se gostavam, se respeitavam e juraram combater aquilo - aquela Coisa - que passou a persegui-los, embora nenhum deles tenha sido ferido mortalmente por ela.

Esse é um dos maiores mistérios do livro: Como os sete Perdedores conseguiram passar por aquele período terrível, sofrendo perseguições naturais e sobrenaturais, sendo acossados pelo psicopata Henry Bowers e seus sequazes, sem conseguir contar com a ajuda dos adultos (que pareciam não notar ou não enxergar o que eles enxergavam)? E agora, adultos, conseguiriam destruir a Coisa definitivamente?

O final é soberbo, embora nas entrelinhas a gente possa perceber que a Coisa é o Mal do Universo. Também há  uma alusão - muito tênue, na verdade - a Deus e em como ele usou os sete para enfrentar a Coisa, mas tal alusão é única, quase no final da história... Só uma leitura muito atenta poderá mostrar onde está Deus - o Pai Criador - e em como Ele age na trama. Uma alusão mínima e sutil, talvez para não envolver uma trama de fantasia na temática religiosa.

Um livro clássico do terror sobrenatural, que não vai decepcionar os amantes da literatura fantástica, com certeza!




Adelino Magalhães - Um prego! Mais outro prego! [conto, download]

BY Jossi Slavic Genius IN , , 1 comentário


Um conto triste, de ambiente opressivo, mais deprimente do que assustador, mais psicologicamente nostálgico e desolador do que se possa imaginar, é esse conto de Adelino Magalhães. Ele constrói, de forma maquinal, o caixão de sua filha, enquanto vai refletindo sobre vários aspectos da vida. E o final é tão horrível e desolador quanto o início...