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Revisitando contos de fadas... com toques de terror!

 Como eu já disse uma vez - e como saiu na Revista RTS, segunda edição - Hollywood está "revisitando" contos de fadas, só que... com pitadas generosas de maldade, terror e até, em alguns casos, erotismo. É o que li na matéria do site Folha de S. Paulo, escrita por Rodrigo Salem. E é o que se vê em toda parte, não só no cinema, mas também na tevê (séries como "Os Irmãos Grimm", por exemplo), embora esse não seja um fenômeno moderno. Isso já vem de uns oito, dez anos atrás. Eu lembro que assisti "Van Helsing, Caçador de Vampiros" no cinema, com meu filho de 8 anos na época, e até gostei. Embora esse filme, especificamente, não seja baseado em nenhum conto de fadas, dá para se dizer que tem uma certa qualidade de "lenda", já que é baseado em "Drácula" de Bram Stoker. E "Drácula" é também uma espécie de conto de fadas sombrio, da Romênia.

Nessa nova onda de se apoderar das velhas lendas e contos infantis para transformá-los em filmes adultos, com muito terror e maldade, surgiram algumas superproduções interessantes, como "Branca de Neve e o Caçador", "João e Maria - Caçadores de Bruxas", "Oz - Mágico e Poderoso", "A Garota da Capa Vermelha" (Chapeuzinho Vermelho), e por aí afora.

Mas agora, pelo visto, nada mais está a salvo das garras assanhadas dos produtores hollywoodianos, nem mesmo figuras históricas, livros conceituados, belos romances clássicos. "Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros" está aí, para confirmar. E antes desse livro-e-filme, também tivemos "Orgulho e Preconceito e Zumbis" (um livro ridículo, para dizer o mínimo). Transformem contos antigos em novos livros, se quiserem, com certeza o povo vai apreciar (aqui está a resenha de A Filha da Floresta, lançamento de sucesso, baseado em um conto de fadas), mas acredito que distorcer uma obra elegante e clássica, como Orgulho e Preconceito, é um pouco demais. 


Quanto às lendas e contos de fantasia (e inclua-se aí figuras mitológicas, personagens do folclore, livros infantis, etc.), acho válido que sejam revisitados, sim. Desde que o resultado final seja um filme (ou livro, série, ebook, etc.) interessante e bom entretenimento para o público adulto.

Agora, você pode perguntar: Mas, e as crianças? Não irão querer ver tais "obras que viraram filmes"? Talvez, mas o que pais, mães e educadores devem fazer, é cuidar para que as crianças não assistam (ou leiam), se tais obras não forem recomendadas para a faixa etária delas. Ou seja, tudo de acordo com a idade...

Interessante seria se a tevê e o cinema brasileiro resolvessem "revisitar" nossos contos e lendas também. Imaginemos um filme baseado nos contos e livros de Monteiro Lobato, ou em nossas lendas? Vimos que filmes e seriados históricos, baseados em personagens da História do Brasil já fizeram sucesso no passado: "Dona Beija", "A Marquesa de Santos" - da extinta Rede Manchete, "Desejo" (minissérie global sobre a vida e o casamento de Euclides da Cunha com Anna de Assis), "Chiquinha Gonzaga", "A Casa das Sete Mulheres" e por aí vai... Por quê não personagens das lendas?

Pensando nisso, estou com expectativas de criar contos baseados em nossos mitos, como já fiz com o livro infanto-juvenil "A Loira Perversa" (e o mito urbano da Loira Fantasma). Vamos ver se o projeto sai do papel e vem para o computador... Enquanto os contos novos não saem, vamos postar aqui lendas e contos brasileiros que estejam em domínio público, além de alguns textos sobre mitos do folclore mundial.  :)



Juliet Marillier - Sevenwaters 1 - A Filha da Floresta



Filha da Floresta - Sevenwaters - Livro 01 - Juliet Marillier

Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da Natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que os transformou de bravos guerreiros em belos cisnes selvagens...

O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... Os invasores da floresta, os salteadores de além-mar, os bretões e os vikings, estão todos decididos a destruir este lindo paraíso. Porém, o mais urgente para os guardiões de Sevenwaters é destruir o mal sombrio que se introduziu em seu domínio: Lady Oonagh, uma feiticeira, bela como o dia, mas com um coração negro como a noite. Lady Oonagh conquista Lorde Colum, mas não consegue encantar a prudente Sorcha e seus bravos irmãos. 
 
Seguindo a tendência atual de releitura de clássicos para o público juvenil e adulto, Filha da floresta é uma fantasia medieval baseada na obra germânica dos Irmãos Grimm, o conto Os seis cisnes, também conhecido como Os cisnes selvagens. Além dos clássicos elementos das fábulas (a madrasta perversa, eventos que causam transformação interior e grandes obstáculos a serem vencidos), o romance descreve uma história de coragem, nascida de perdas, e de vidas modificadas para sempre, além de apresentar dilemas humanos dentro de um contexto de fantasia, pois o objetivo dos contos é descrever experiências difíceis e mostrar o que há de melhor e de pior no ser humano e mostrar a recompensa merecida ao fim de sua narrativa.

O QUE ACHEI:
Há cerca de dez anos os atuais escritores de fantasia redescobrem a magia dos contos de fadas. Como eu sempre gostei de "contos de fadas", graças à minha primeira coleção de livros infantis, todos de capa dura e traduzidos por Monteiro Lobato, sou suspeita para falar que gostei muito desse romance. 

 Eu só me toquei que já tinha lido o conto de fada, quando eu tinha lá meus... oito ou nove anos, quando fiz uma busca no Google e vi algumas ilustrações com uma cena da história, em que Sorcha está rodeada pelos seis irmãos, todos em forma de cisne. Então relembrei do conto dos irmãos Grimm, do livro antiguinho com sua capa azul e letras em relevo, douradas: "Contos de Grimm". Lembrei então perfeitamente da história da princesinha que teve de enfrentar as mais duras provações, passando pelas aventuras mais horripilantes, tudo para salvar seus irmãos do feitiço da madrasta bruxa.

De fato, o livro que eu li não é o lançado pela editora Butterfly, nacional, mas o outro, a edição portuguesa da Bertand, 2009. Porém a história é a mesma, as diferenças na linguagem não interessam e talvez ainda tornem a leitura mais curiosa, pelo que nós brasileiros consideraríamos "expressões exóticas". 
 
 Um bonito conto de fadas adaptado por uma escritora inteligente, que sabe como entrelaçar ação, romance, magia e uma intriga soberba, que manterá aceso o interesse dos leitores do início ao fim. Ao contrário de outra autora que também usou lendas antigas como enredo de seus romances, Marion Zimmer Bradley, Juliet Marillier é mais moderna no uso que faz dos seus personagens e consegue fisgar nossa atenção, com o uso daquilo que mais atrai os leitores do século 21: Fantasia, romance, heróis corajosos e vilões malvados. Marion Bradley não tinha uma linha muito bem delineada entre mocinhos e vilões: O vilão poderia ser mais tarde inocentado, porque também era humano, e como tal, tinha defeitos. O mocinho também errava - o que se nota na série "As Brumas de Avalon" e a vida do Rei Arthur. Mas Juliet Marillier torna mais nítida essa linha. Sua heroína, Sorcha, é uma adolescente de 13 anos, que passará muitos de seu tempo de mocinha na cruel atividade que lhe foi imposta pelo destino, a de salvar seus irmãos, custe o que custar. Uma heroína bonita, inteligente, sofredora, persistente - como as jovens modernas apreciam. Os vilões (Lady Onagh, a madrasta, e Lorde Richard, o tio mal-intencionado do jovem Red) são de fato maus até os ossos.

O resultado disso é uma história antiga, mas escrita para as gerações modernas, encantadora pelo realismo da narrativa. E é isso o que a torna mais cativante. A beleza da história realista de Sorcha, tão realista que o leitor até chegará a sentir as mesmas dores que ela sente, quando está costurando as camisas com fio do espinheiro (urtiga) para cada um dos irmãos enfeitiçados, sentirá a dor de suas mãos em carne viva, sentirá o terror que ela sente à noite, quando estará sozinha na caverna e terá pesadelos... sentirá o mesmo desespero dela, ao se deparar com bandidos e homens malignos que quererão maltratá-la... o medo que ela sentirá e o desconforto, quando seu belo salvador, Red, o bretão, a deixará sozinha em seu castelo com outras pessoas que não simpatizam com ela...

A história é muito bonita, e através dos sofrimentos de Sorcha também podemos aprender um pouquinho: Aprender que nossos sofrimentos muitas vezes são necessários. É uma provação imposta pelo destino...? Por Deus...? Pelos nossos próprios atos, escolhas, resultado do livre arbítrio...? Não se sabe, mas fica a lição: O sofrimento de Sorcha foi inimaginável, terrivel, mas necessário. Nos seus momentos de maior angústia, em que ela desejava largar toda a tarefa e seus sacrifício de ficar muda, e gritar, gritar, gritar, havia sempre a vozinha da razão (ou do seu gênio protetor, talvez), a lhe recomendar: Não pare, não desanime. Continue, continue costurando, continue, por mais lhe doam as mãos. Esqueça a dor, só o que importa é salvar seus irmãos, livrar seu pai da bruxa, terminar sua tarefa.


Eu daria cinco estrelas (ou nota dez) não fosse por uma certa ambiguidade na definição de certos personagens. Talvez tenha sido proposital - talvez na continuação do romance isso seja esclarecido - mas não se consegue chegar a nenhuma conclusão sobre a verdadeira identidade de Lady Onagh e da criatura mágica conhecida como "Dama da Floresta" - responsável pelos conselhos para Sorcha desfazer o feitiço. Seriam ambas uma e mesma pessoa? Seria Lady Onagh o lado "negro" da Dama da Floresta? Seriam irmãs, parentas, sei lá? Nada fica claro, e isso insere certa inquietação às linhas finais.

Mas sempre tem a continuação. Vamos a ela.




Tess Gerritsen - Corrente sanguínea



Corrente Sanguínea - Tess Gerritsen

Claire Elliot, uma médica de renome em Baltimore, acabou de perder o marido, e sente que o filho adolescente está assustado e traumatizado pela morte do pai. Para afastá-lo das más companhias e da violência, Claire escolhe uma pequena cidade como refúgio: Tranquility, às margens do lago Locust. Tudo parece bem até que os primeiros sinais do inverno surgem, e com eles, uma tragédia: um jovem, um de seus primeiros pacientes em Tranquility, é dominado pelo ódio e tenta assassinar a família inteira. A cidade tenta pôr a culpa do repentino ato violento no tratamento administrado pela médica recém-chegada, mas Claire desconfia de que haja algo suspeito por trás desse acontecimento sinistro. Seus pressentimentos são confirmados quando surgem outros casos de violência, e suas incansáveis pesquisas mostram que não é a primeira vez que tais surtos acontecem no local: adolescentes ferindo seus pais, irmãos e amigos... Uma vez a cada 50 anos, a cidade é tomada por ondas de crimes assustadores. Embora os rumores apontem atividades macabras e bruxaria como possíveis causas desse fenômeno, Claire começa a suspeitar de que a violência seja fruto de uma epidemia, transmitida por uma substância não identificada, passando de criança a criança, infectando seus cérebros e deixando-as fora de controle. Claire precisará pesquisar a fundo a causa dos ataques, com a ajuda do chefe de polícia, de uma arqueóloga interessada nos antigos casos de violência na cidade e da única moradora que não tem medo de falar sobre o passado trágico de Tranquility. Mas, quando menos espera, ela se depara com uma ameaça ainda pior. O tempo está contra a médica: não só toda a cidade pode estar em perigo, como seu filho parece cada vez mais distante e inquieto...

O QUE ACHEI:
 Não conhecia ainda essa autora - excelente no suspense, por sinal - e gostei do estilo rápido, ágil e bem desenvolvido de sua narrativa.
O tema já é meu conhecido, dos livros do Dr. Robin Cook e Michael Palmer, o suspense médico. Exatamente como o primeiro, Tess Gerritsen desenvolve uma narrativa de ação médica, mas intercalada com momentos de ação policial e, melhor que tudo: suspense. Aquilo que nos deixa tensos e nos faz esquecer momentaneamente de nossos próprios problemas, para mergulhar num mundo diferente, pensando e agindo com a personalidade de outras pessoas.


Gostei bastante da ação e do desenrolar desta trama, em que uma mulher (aproximadamente da minha idade, daí vindo uma certa identificação), médica, viúva e mãe de um adolescente, vai morar em uma cidadezinha do Maine, Tranquility. Não poderia haver um nome menos adequado aquela estranhíssima cidade do interior.

Claire Elliot vai se deparar com um quadro de loucura, terror, crimes hediondos, em que os algozes são todos... rapazes, entre 13 e 17 anos. Todos adolescents.

De início, praticamente ninguém da cidade vai pensar em doença ou infecção, apenas uma palavra parece estar estampada na testa de todos ali: maldade. E Claire, uma médica sensível e mãe zelosa, vai se preocupar com aqueles casos, atender alguns dos meninos "tomados pela loucura" e vai começar a investigar o que estaria por trás daquilo. Sim, porque a Dra. Claire, diferente dos demais habitantes da cidadezinha, não acredita em bruxaria, feitiços, urucubacas ou simplesmente "maldade genética", já que os tais criminosos nunca tinham mostrado nenhum sinal de psicopatologia antes.

O próprio filho de Claire, Noah, a certa altura vai mostrar os mesmos sintomas dos outros rapazes. Ou seja, vai se mostrar estranho, agressivo, irritável...

Uma trama cheia de reviravoltas, o leitor chegará a pensar até em seres do espaço, quando ela menciona "luminescência verde" nas águas do lago. Porém... não, não se trata disso também.



E o tempo todo há uma dose forte de ação e suspense, que fará com que o leitor corra com a leitura, até os finalmentes.

Como outros skoobers citaram, não achei que o final foi muito convincente. Houve uma nítida pressa na autora, para concluir a trama, o que se nota pelo seguinte motivo: Porque resumir tanto o final, quando durante o livro todo a autora se esmerou em detalhar tudo, até o que não era importante? O livro inteiro é cheio de detalhes (embora não cansativos), em que ela explica sobre as vidas pessoais dos moradores, do xerife Lincoln (que será alguém importante na vida emocional de Claire), as experiências científicas do biólogo Max e até os procedimentos médicos... Mas no final, tudo fica resumidíssimo em poucas linhas. Nada de falar sobre os destinos de certos personagens vilões, nem dos destinos futuros de Claire, Lincoln e Noah. Fica apenas uma insinuação no ar, nada mais.

O livro, no total, é ótimo. Exceto pelo final, como já disse, mas vale a pena ser lido!




Toni Collins - Um vampiro em Nova York




Um Vampiro em Nova York - Toni Collins
Gabby Thorne duvidava de que um dia se casaria. Isso, até conhecer Adrian Lacross, dono dos olhos mais azuis que já vira. Gabby, apaixonada, passou por cima da diferença de idade, mesmo sendo de oitocentos anos!

Alguns anos atrás, Adrian Lacross teria transformado Gabby em mais uma habitante da Transilvânia. Mas ele já não era o conquistador noturno de outros tempos. Agora, tudo que queria era andar sob o sol, de mãos dadas com Gabby.

Mas como sonhar com casamento, quando tudo que podia oferecer a ela era um futuro que começaria ao entardecer e terminaria com a aurora?

O QUE ACHEI:
Um dos primeiros livrecos da NC sobre vampiros. Para se ter uma ideia... o livrinho é uma coletânea de lugares-comuns, clichês e ceninhas estilo 'sessão-da-tarde'. Não há quem não goste, claro. Sempre tem leitoras que preferem a visão anos 80 sobre vampiros, já que os de hoje em dia são tão perturbadores...


Eu, porém, sempre vou preferir o que tiver de mais forte e radical. Principalmente livros com mais suspense, mais adrenalina e mistério, sem essa de "mocinhos-vampiros-bonzinhos".

O livro lembraria mais um gibi da Turma da Mônica, sendo a Mônica a Gabby, Cebolinha o Adrian, e o Cascão, o vilão. Ah, claro, tem até um caça-vampiros na história, uma versão de banca do Dr. Van Helsing.

Super clichê, pouca emoção, lugares-comuns de monte, cenas insossas. Para a época em que foi publicado, dever ter sido o máximo. Hoje, talvez agrade a uma ou outra leitora, mas acho bem difícil. :(


Risa Green - A Sociedade secreta da bola de cristal cor-de-rosa


A Sociedade Secreta da Bola de Cristal Cor-de-Rosa - The Secret Society of the Pink Crystal Ball - Risa Green

Na companhia das duas melhores amigas, Erin vive feliz. Quer dizer, não completamente, porque acha sua vida totalmente sem graça. Para que fique mais interessante, ela faria qualquer coisa para ganhar um concurso cujo prêmio é uma viagem à Itália. Mas para isso precisa escrever uma dissertação explicando por que ela deveria ser escolhida... Mas escrever o quê? Se nada nunca acontece em sua vida... Bem, quase nada. Quando sua tia favorita morre, Erin recebe de herança uma misteriosa bola de cristal cor-de-rosa. Quando viva, tia Kiki (também conhecida como titia Eskikisita) sempre viveu fora dos padrões convencionais. Mas agora Erin e suas duas melhores amigas estão convencidas de que a bola de cristal cor-de-rosa é a chave do futuro das três – ou pelo menos a chave para arranjarem um namorado e viverem incríveis aventuras. E o que garotas adolescentes poderiam desejar? Peitos maiores? Um encontro romântico? Livrar-se das colegas de escola que as atormentam? No início elas encaram tudo como uma grande brincadeira e não levam a sério os pedidos mirabolantes que fazem à bola... Até que as coisas que queriam começam realmente a acontecer. Será magia ou apenas coincidência? Em meio a tudo isso, elas começam a sofrer bullying, ameaças e as coisas começam a ficar sérias e fora de controle. A magia também tem sua lógica e suas explicações, e talvez essa seja a principal questão. Coisas divertidas podem acontecer quando você se envolve com magia, principalmente quando elas não saem da forma como você esperava...

Editora: Jangada
Ano: 2011
Páginas: 263

O QUE ACHEI:
 
Outra fantasia adolescente, porém sem as bizarrices inverossímeis de outros livrinhos que li. Aqui o sobrenatural é tratado com mais "responsabilidade", ou pelo menos, é o que passa a autora, mostrando mais o mundo preconceituoso e orgulhoso das novas adolescentes norte-americanas do que sua aventura "mágica".
A bola de cristal cor-de-rosa é um artefato pretensamente mágico, herança da tia Kiki para Erin, que pode realizar pedidos. Mas existem várias regrinhas para que tais pedidos sejam realizados, não é qualquer pedido, de qualquer pessoa ou de qualquer jeito. Só a pessoa escolhida é quem pode fazê-los. Erin, ligadíssima às suas amiguinhas, a esnobe ricaça Samantha e a filha de mãe separada, Lindsay, quer mudar o seu mundo (apesar de seu cetismo inicial) e pensa em usar a 'bola mágica' para isso.

 

O livro é, como eu disse, cheio de pitadas de preconceito e esnobismo, como quando são descritas as roupas de grife de Samantha, a "falta de glamour" de Erin, o cabelo "ridículo" de Jesse:

"Seu cabelo preto retinto era tão arrepiado que tinha quase meio metro de altura. Tudo bem, exagero meu, mas ainda assim ele gostava dessa coisa spiky punk rock que parecia trinta anos defasado no tempo e podia ter sido o máximo um dia, mas agora parecia simplesmente... ultrapassado. "

Ou o fato de Chris Bollmer ser um "nerd" que só usava moletom com capuz. Não vejo nada de errado em moletons com capuz (no inverno). Talvez o personagem fosse de classe baixa, um pobretão, daí ter virado o vilão da história.

O fato é que a história não é lá grandes coisas, mas como um levíssimo passatempo para horas vagas serve. Não é história para adultos, não passa nenhum tipo de mensagem positiva para os adolescentes, mas sim vários conceitos extravagantes, como o bullying nas escolas americanas, encarado como uma provação a ser aceita de cabeça baixa (no caso aqui, por Lindsay, que é perseguida por Megan). Estranho como isso é narrado pela autora. Se eu tivesse escrito tal história, teria colocado um ponto final no bullying de Megan contra Lindsay, mas de maneira realística. Ou seja, com o enfrentamento corajoso por parte de Lindsay e a participação das famílias de ambas as meninas, através de conversas. Falo isso por experiência própria, por já ter vivido perseguições ("bullying") na adolescência e ter resolvido da maneira mais direta possível, com auxílio de diretores e professores. E por ter vivido o mesmo com jovens da minha família e resolvido da mesma forma.

Mas enfim, não é um livro, como eu disse, que traga lições morais ou quaisquer outras implicações que não sejam o mero entretenimento.

Daria nota 6.

Rachel Caine - Os Vampiros de Morganville 2 - Danca das Garotas Mortas


                                Dança Das Garotas Mortas - Os Vampiros de Morganville – Livro 2

BOA NOTÍCIA, MENINAS: SEUS ACOMPANHANTES ESTÃO AQUI!

Claire Denvers tinha sua cota de dificuldades – como ser o gênio em uma escola que valoriza mais a beleza do que a inteligência, lidar com as garotas homicidas do seu alojamento e, acima de tudo, descobrir que a cidade onde se localiza sua faculdade é dominada por vampiros. Vendo a situação pelo lado positivo, ela tem um ótimo companheiro de quarto (que costuma desaparecer ao nascer do sol) e um novo namorado chamado Shane… cujo pai, um caçador de vampiros, chamou reforços: uma gangue de motoqueiros que gosta mais de matar do que de qualquer outra coisa. MÁ NOTÍCIA, GAROTAS: ELES ESTÃO MORTOS. Agora uma fraternidade está organizando sua festa anual, o Baile da Garota Morta, e – surpresa! – Claire e sua melhor amiga, igualmente excluída, Eve, foram convidadas. Quando descobrem por que, o céu já está prestes a desabar. Porque dessa vez vivos e mortos estão à solta – e todos estão com fome de sangue.

O QUE ACHEI:
O segundo livro continua na cena onde o primeiro tinha acabado. Para quem não gosta de séries, essa pode ser uma coisa ainda mais irritante! Eu, com sinceridade, odeio livros em série. Os melhores que li, até hoje, constituíram sempre um volume único: "O Morro dos Ventos Uivantes", "Ivanhoé", "Jane Eyre", "David Copperfield", "Chama e Cinzas", "A Sucessora", "Quo Vadis", etc. Mas como os tempos mudam, e a cabeça das pessoas também... temos de acompanhar. E também já li (ou ainda estou lendo) ótimas séries, como as dos vampiros do André Vianco, a série Red Kings da Laura Elias, entre outras. Entretanto, são exceções.

Para quem estava ansioso por uma boa definição, deve ter se exasperado até ao limite, quando chegou no fim de "Casa Glass" e se deparou com a gangue dos motoqueiros malucões, destacando-se dentre eles o pai do próprio Shane... E um final que "não era um final". E nos deixava com um gosto de "cadê o resto?" na boca...




Aqui, a luta na Casa de Vidro prossegue, e muitas novas aventuras esperam pela ingênua Claire. Entretanto, ela se mostrará mais forte, forte até demais - para quem, há dias atrás, mais parecia um ratinho assustado! É uma reviravolta brusca.

O valente motoqueiro com cara de bandido, pai de Shane, vai ser o vilão da hora. Sedento por vingança contra os vamps da cidade, o bicho louco irá aprontar todas. Shane, como um bom moço (que nem parece filho daquele roqueiro sacana), tentará por panos quentes... por outro lado, Michael e Eve parecem ter encontrado vários pontinhos em comum... alguns coraçõezinhos irão enfeitar a atmosfera desses dois... e Claire? Não, não se livra ainda da maldita patricinha homicida.

Haverá, nesse livro, o ponto "alto" da história. Um baile. Não achei muito interessante essa parte - que deu nome ao segundo livro da série. O tal baile só serve para aumentar as tensões e adicionar mais sal nas feridas de todos.

Shane está correndo um grande risco, e desta vez, Claire irá bancar a heroína.

O final da trama é bem montado, as pontas soltas são amarradas, muitas coisas novas vão acontecer e personagens novos irão surgir. E isso, em uma série, é bem importante (embora eu preferisse ler tudo num volume só, como já disse).

Gostei. Muito bom!

Rachel Caine - Os Vampiros de Morganville 1 - Casa Glass




                                Casa Glass - Os Vampiros de Morganville – Livro 1 - Rachel Caine

 
Bem – vindo a Morganville, Texas. Apenas não fique fora após o escuro. A estudante do primeiro ano da faculdade Claire Danvers já teve o suficiente da sua situação de pesadelo no seu dormitório, onde as meninas populares nunca a deixam esquecer exatamente que lugar ela ocupa na cena social da escola: algum lugar abaixo de zero. Quando Claire vai pra fora do campus, a imponente casa antiga que ela encontra um quarto pode não ser muito melhor. Seus novos colegas de quarto não mostram muitos sinais de vida. Mas eles vão proteger Claire quando os segredos mais profundos da cidade virem a tona, famintos por sangue fresco.

Livro: Glass Houses
Série: The Morganville Vampires #1
Autora: Rachel Caine
Lançamento: 2010 (Brasil) / 2006 (original)
Editora: Underworld (Brasil) / Nal Jam (EUA)

O QUE ACHEI:
Eu ainda estava na fase de "bem-vindos, vampiros de todos os tipos", quando li esse primeiro livro da série. E ainda estou no terceiro, ou seja, ainda na série. O livro foi comentado, isso foi: Alguns malhando, outros falando bem. Mas o fato é que a série Morganville fez relativo sucesso aqui no Brasil (e ainda faz).

O primeiro livro, embora seja sobre vampiros (de novo, muita gente pode ter dito...), tem pontos favoráveis. O que me chamou a atenção: Claire, a protagonista, é uma menina frágil, sem muita determinação e mais ou menos bobinha. Eu, aos 16 anos, já era bem mais fera, e olha que eu não fui uma adolescente rebelde.

 O envolvimento dela dentro da cidade se inicia na faculdade, onde começa a ser perseguida pela Monica e suas "moniquetes", uma patricinha psicopata. Apesar de ter achado esse enredo meio forçado e ficado surpresa com tanta violência, partindo de "moças", eu fui em frente.

A Casa Glass, onde Claire vai morar após deixar o dormitório, tem três moradores. Eve, uma menina gótica e simpática, Michael e Shane, dois rapazes que, desde o início, também se mostram amistosos.

O início do livro, ao contrário do que muitas resenhadoras disseram, não é chato ou cansativo. É a introdução, e toda introdução precisa ser lenta e explicar razoavelmente bem o cenário a seguir, sob pena de tornar a história sem nexo ou bizarra demais. E o que mais tem nesse livro, é bizarrice.

As surpresas são inúmeras, a cidade com seus vampiros seculares e suas regras estabelecidas pela 'realeza vampírica' é interessantíssima (do ponto de vista do leitor) e a pobre Claire vai cativar as leitoras, apesar de ser muito "boca mole", ou seja, muito medrosa e passiva diante das provocações da encapetada Monica.

Mas, como eu disse, há muitas surpresas na história toda. E por conta disso, o livro pode ser classificado como "muito bom". Gostei! :-)

Edgar Allan Poe - O escaravelho de ouro [resenha do conto]

O Escaravelho de Ouro - resumo rápido
O protagonista do conto (cujo nome não é mencionado) tem um amigo, William Legrand, que mora sozinho - acompanhado apenas de seu fiel servo, o negro Júpiter, na ilha Sullivan. Juntos, os três personagens viverão uma aventura curiosa, atrás de um suposto tesouro, cujas evidências são trazidas à tona pelo surgimento de um besouro dourado.

O QUE ACHEI: 
Como eu disse no resumo, William Legrand vive sozinho na ilha Sullivan, um lugar meio desértico, na Carolina do Sul. O protagonista gosta de Legrand, embora o considere meio excêntrico (e por vezes, meio maluco), e sempre que pode vai visitá-lo. Numa dessas visitas, ele veio a conhecer a nova descoberta do amigo: Uma especime dourada de escaravelho.


Legrand parece, aos olhos do narrador, muito excitado, e o desenho que faz do bicho, num pedaço de papel velho, surge mais como o delineado de uma caveira (crânio) que de um escaravelho.

Mais tarde, em uma nova visita, o narrador vai se convencendo, pouco a pouco, de que o amigo está obcecado com a história do tal "escaravelho de ouro" (como diz Júpiter) e que sua mente anda mal... Como se ele estivesse à beira de um ataque de nervos.

Entrementes, concorda em acompanhar Legrand numa pequena expedição a determinado ponto da ilha, onde ele vai investigar o ponto onde julga (sabe-se lá por que) haver um tesouro enterrado...

O negro Júpiter, tanto quanto o narrador, acredita que seu sinhozinho está doido.

O curioso no conto, é justo isso: O fato de que Legrand, em momento algum, dá explicação plausível para seus atos doidos. E mesmo assim, o narrador e Júpiter o acompanham, concordando em suas ações aparentemente sem nexo.



Júpiter sobe em uma determinada árvore, encontra determinada coisa, faz isso, faz aquilo, e...

A certa altura, porém, a mente brilhante de Legrand irá mostrar aos dois céticos (Júpiter e seu amigo) que ele estivera certo o tempo todo... Mas sem spoilers, para que você, leitor, não perca o melhor.

Um conto bem estruturado do mestre do suspense e do gótico, Edgar Allan Poe, no qual ele põe em ação toda a sua criativa destreza mental, criando situações aparentemente insolúveis, com pistas enigmáticas e ridículas ao mesmo tempo, mas que levam a um desfecho inesperado e genial.

Nota dez!

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