Charlaine Harris - Visão do Além [resenha]

BY Jossi Slavic Genius IN , , , , -


Harper Connelly e seu meio-irmão, Tolliver, são especialistas em realizar o serviço (encontrar cadáveres de pessoas desaparecidas), receber o pagamento e partir rapidamente, pois as pessoas que os contratam têm o estranho hábito de não querer ouvir o que eles têm a dizer. E à primeira vista, a experiência com os moradores da pequena cidade de Sarne, nas Montanhas Ozarks, parece não ser diferente. Uma adolescente está desaparecida, e Harper sente imediatamente que ela está morta. Mas os segredos que envolvem este assassinato e a própria cidade são profundos demais até mesmo para que a habilidade especial de Harper consiga desenterrá-los. Ao perceber a hostilidade crescer ao redor deles, ela e Tolliver querem apenas resolver o assunto e ir embora, mas então outra mulher é assassinada... E o criminoso ainda não terminou seu trabalho...
Ano: 2011 / Páginas: 232
Idioma: português 
Editora: Lua de Papel

RESENHANDO...
Harper foi outra heroína de Charlaine Harris com quem me identifiquei um pouquinho: Nada convencional e até meio frágil, a moça tem um dom originalíssimo de 'farejar' quando uma pessoa está morta e vislumbrar, em visões psíquicas, os últimos momentos da mesma. Mas o que me fez identificar com ela é que Harper, apesar desse dom incomum, ser uma mulher bastante simples (como a heroína Sookie, da série de mesmo nome), de hábitos frugais, inteligente e com uma vida nada fácil. Isso é algo que faz você se identificar com ela também, leitora? Isso não deixará os homens de fora, pois o livro é muito curioso, não se trata de um romance açucarado. Ao contrário, agrada homens e mulheres.


A história coloca Harper e seu meio-irmão Tolliver dentro de uma cidadezinha interiorana, Sarne, onde ela irá para desvendar o desaparecimento (e possível morte) de uma jovem. Conforme a trama se desenrola, somos apresentados aos dons incomuns de Harper, sua amizade (um tanto quanto 'ardorosa' demais) pelo mano Tolliver e um início de romance com um policial da cidade. Dá para se torcer pelo casal pois o rapaz (de acordo com as descrições da autora) é o típico 'guapo-e-cavalheiresco', um homem bom, generoso, honesto e de quebra, um belo exemplar masculino. 

Para as fãs desses romances mais doces e 'hots', entretato, ficará faltando alguma coisa (que para mim entretanto, estava de bom tamanho): cenas de sexo. No meu entender essa série de Charlaine é mesmo mais mistério do que romance-rosa. Portanto, mulheres, se aguardam aqueles momentos 'tórridos' no estilo da charmosa Sookie e seus vampiros sarados, esse romance vai decepcioná-las. Se vocês são como eu, mais adeptas de um bom suspense, com pitadas de um terror leve e insinuações de um romance (cujo maior charme é justamente esse, a sutileza), o livro é ótimo.

Um livro que agrada fãs de mistério. Para terem uma ideia do que esse livro é, se comparado a um programa de televisão: imaginem os romances da Sookie como uma novela da Globo das décadas de 80-90 (ainda boas, com pitadas de romance e várias tramas paralelas com vilões, mocinhos e mistério). E esse aqui, com o seriado Arquivo-X (igualmente interessante, porém com menos romances amorosos e mais sobrentural/suspense). 


O contra: Erros de impressão (ou de revisão!) que a Lua de Papel deixou passar. Erros grosseiros, que denotam tremenda falta de cuidado e de respeito com o leitor.

Espero nunca mais me deparar com isso. No mais, o livro é muito bom.


Série Harper Connelly
1 - Visão do Além
2 - Surpresa do Além (não publicado)
3 - Um Frio do Além (não publicado)
4 - O Segredo do Além (não publicado)


H. P. Lovecraft - O medo à espreita [resenha]

BY Jossi Slavic Genius IN , , , , , 1 comentário


O Medo em Tempest Mountain


O conto é longo e conta a história de um homem que, afrontando o sobrenatural, resolve ir até o famoso e aterrador Solar Martense, na região conhecida como Tempest Mountain (Montanha das Tempestades). Lá ele se irá deparar com um horror que nem em pesadelos imaginara. Mas a noite lá passada nada é, em comparação com o que acontecerá depois...

Pois bem: Esse é um conto mais longo, um dos que mais gostei. A maior parte da obra de Lovecraft peca pelo excesso de advérbios, como já citei antes: "abismal", "assombroso", "sideral", "inominável", etc. Mas era típico esse estilo no século XIX, onde o terror advinha mais do estilo narrativo do que do fato descrito, em si. O que era descrito naquela época e tido como "terrível", para nós - já tão acostumados a terrores mais anormais do que o mais anormal dos terrores cthulhuenses - soa como simples suspense sobrenatural. Se não for até meio clichê.

Apesar disso, Lovecraft continua e, pelo andar da carruagem, continuará a ser um clássico por séculos a nossa frente. Por quê? Porque seu estilo de narrativa gótica, com o suspense sombrio típico das narrativas 'de medo' do século passado ainda fascina,ainda encanta, ainda comove... justamente pelo estilo pomposo, arcaico, soberbamente sombrio e formal. Porque hoje o terror se torna mais e mais corriqueiro, vulgar, banal. O terror está nos noticiários dos jornais, da internet, nos filmes e séries. O terror de hoje é banalizado demasiadamente. 


Em Tempest Mountain o personagem principal irá protagonizar o investigador das assombrações do Solar Martense, onde viveu a família de Jan Martense, imigrante holandês.

"Sabe-se ainda menos dos descendentes de Gerrit Martense do que dele próprio, pois todos foram criados no ódio à civilização inglesa e educados para evitar os colonos que a aceitavam. Sua vida era muito reclusa e as pessoas diziam que, por causa de seu isolamento, eles tinham-se tornado pessoas de poucas palavras e difícil compreensão. Ao que parece, todos eram portadores de uma peculiar dissemelhança hereditária de olhos, tendo geralmente um olho azul e outro castanho. Seus contatos sociais foram ficando cada vez mais raros até que eles finalmente deram para se casar com a numerosa população servil que havia na propriedade. Muitos degenerados da populosa família cruzaram o vale e mesclaram-se com a população mestiça que mais tarde viria a gerar os desgraçados posseiros. O resto havia-se aferrado com teimosia ao solar ancestral, encerrando-se cada vez mais no clã e desenvolvendo uma reação neurótica às freqüentes tempestades."

A história se torna um enigma alucinante quando ocorrem três desaparecimentos estranhos, o que provocará uma obsessão no protagonista, a fim de elucidar aquilo tudo.

O final? É horrível, como naturalmente são todos os finais de Lovecrat, mas tem uma pitada a mais: É nauseante, bizarro e com um quê de 'maldição' que nos fica martelando na cabeça a seguinte pergunta: Por quê? Por que essa família se tornou tão selvagem e maligna?

Digno de ser lido e relido! 

O novo ateísmo e a destruição do idílio e do sonho

BY Jossi Slavic Genius IN , , , , , 1 comentário


Eu estava hoje me recordando de algumas coisas, bastante comuns e muito em voga nos gloriosos e saudosos anos 1980: O misticismo, a crença em espíritos da natureza e em anjos.

Não digo que não sou cristã, sou e sempre fui, mas era difícil para uma adolescente de seus doze a dezessete anos ficar indiferente à magia da chamada “Nova Era”, iniciada nos anos 1970 e se estendendo até meados dos anos 1990.

Nova Era ou New Age como ficou conhecido, era um movimento cultural-filosófico nascido dos antigos movimentos da contracultura, dos anos 1960 e que foi se tornando mais e mais popular pela adesão de diversos artistas e bandas pops, como os Beatles. O movimento teve uma fusão de diversos elementos: budismo, hinduísmo, terapias alternativas, meditação, yoga, traços da Teosofia de Mme. Blavatsky, tarô, métodos de adivinhação os mais variados, etc. Mas o que “pegou” mesmo como febre, foi a moda dos ‘espíritos da natureza’ – duendes, gnomos, fadinhas, elfos, silfos, anjos, etc.



De toda a parafernália new-ageana, acredito que os brasileiros se afeiçoaram mais aos “pequenos seres do mundo mágico”, hoje somente conhecidos das atuais gerações através de alguns filmes ou livros de fantasia teen, ou do clássico e imorredouro “O Senhor dos Anéis”. Na minha adolescência, entretanto, gostar de duendes rendeu programas na televisão, filmes e desenhos, camisetas, adesivos onde se lia “Eu acredito em duende”, lojas especializadas em material “místico” (que vendia desde gnomos de pano e cerâmica, até o básico incenso...



Agora digam-me, como uma adolescente, louca por livros e romances de fantasia (e sobrenatural), que começava a pintar suas primeiras aquarelas (sim, eu pintei e desenhei muitos duendes e gnomos!) e ansiosa pelo conhecimento místico variado, poderia resistir a todo esse modismo colorido, exotérico, fascinante?

Como toda jovem rebelde, eu assimilava a um nível subconsciente os ensinamentos cristãos – passados na sua maioria por minha mãe, evangélica e muito devotada à sua fé – mas ao mesmo tempo queria conhecer o mundo “paralelo” da moda new age... E isso me rendeu alguns sermões de minha mãe, não nego. Mas fazer o quê, se minha curiosidade era maior que minha obediência? Pelo menos minha rebeldia não ia além do querer conhecer através de livros e estudo. E conhecendo os dois lados, ia separando o joio do trigo. 



Mesmo transgredindo a conduta conservadora de minha família – que, digo desde já, era do tipo carinhosa, nunca opressora como querem significar alguns ideólogos modernos a respeito da família cristã – eu fui lendo tudo a respeito de todas as modalidades do movimento. E sequer sabia que aquilo era um movimento cultural! Como artista plástica, participei até mesmo de um grupo artístico que criou, nos idos de 1994, o Movimento Pararrealista deArtes Plásticas.[1] 



Meus quadros? Óleo sobre tela, algumas aquarelas com figuras místicas e cenas espiritualistas/religiosas. Um dos meus quadros, exposto em Curitiba e Matão, representava um grupo de criaturinhas bizarras reunidas em torno de um homem mais alto, de chapéu pontudo e roupas à moda duende. Claro, o nome do quadro tinha que ser “O Rei dos Duendes”. Infelizmente foi vendido e na época (sem internet e sem máquinas digitais) não se pensou em fotografá-lo! Tenho uma única foto, mas não sei onde a guardei. Ficou dele uma poesia idílica e fofa, como diriam as jovens de hoje. Está publicada aqui.


E hoje, vinte e poucos anos passados, o que restou dessa época tão idílica e colorida? Onde está aquele pessoal cheio de entusiasmo e desejo de unir-se ao Logos, ao Eu Superior, aos poderes do misticismo e das energias dos chakras?[2] Onde estão as lojas Alemdalenda, que criaram tantos sonhos alegres nas cabeças dos jovens dos anos 80 e 90? Pelo que percebi, a artista plástica Heloisa Galves continua trabalhando, escrevendo livros infantis e esotéricos. Mas o charme e a magia do refrão “Eu acredito em duendes”, as histórias (ou estórias) contadas por tanta gente – inclusive artistas e celebridades – sobre encontros com os “pequeninos”, desapareceu.



O que terá acontecido? Tenho aqui comigo minhas convicções, e uma delas refere-se ao neo-ateísmo, que ressurgiu com inusitada violência nos últimos anos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Preocupado em destruir a ideia de Deus e do Cristianismo, o ateísmo veio destruindo também todas as demais formas de espiritualidade, ainda que essas formas fossem meras sombras de uma conexão mais profunda com a Divindade. Entre essas formas, não-cristãs de união com o mundo extrafísico, estavam justamente as ideias da Nova Era ou do movimento New Age.

Naturalmente, não fico triste por terem desaparecido os pequenos bonecos de resina ou as alegres lojinhas de quinquilharias místicas (apesar de eu gostar muito de frequentá-las). O que se perdeu foi algo além: Não a fé no espírito, essa vai permanecer inalterada em mim e em todos os que tem sua convicção firme e souberam separar o joio do trigo. Fico triste pelo desaparecimento do lado idílico daquele tempo, do lado sonhador e dos sonhadores também: Todo aquele pessoal que comprava feliz um livro sobre “elementais” e acendia uma vela no altar pessoal para o “duende da casa” ou deixava uma maçã em um cantinho qualquer. Era um sonho? Era superstição? Era um ato de fé e esperança? Sim... Talvez fosse tudo isso junto. Os duendes não existem, exceto nos filmes e livros infantis? Sim, talvez... Talvez não... 


Mas não é disso que falo; refiro-me a toda uma cultura que se deixava embalar pela alegria e beleza de um mundo mágico. Pelo menos, esse mundo mágico – fosse ou não real – era muito mais belo que o mundo árido, violento e sem graça que os ateus e os marxistas hodiernos criaram.


[2]http://www.personare.com.br/desvendando-o-significado-dos-chakras-m2073

[1] http://www.adepr.org.br/?pagina=jornal&id=4


Bibliografia

FERGUSON, Marilyn. A Conspiração Aquariana: Transformações Pessoais e Sociais nos Anos 80. Rio de Janeiro, Record, 1995.

Froud, Brian. Fadas e o Mundo dos Seres Encantados. Siciliano, 1992.

Galves, Heloisa. Heloisa Galves. 2008. janeiro de 2015 .

Gelder, Dora Van. O Mundo Real das Fadas. Pensamento, 1992.
Magnani, José Guilherme Cantor. “O Neo-esoterismo na cidade.” Revista USP (1996): 15.


Indicação: Ceila Sarita Garcia, resenha de 'Mulheres da Bíblia'

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Valeu pela resenha, querida amiga Ceila

Indicação: Celeide Garcia Leite, resenha do livro "A Escolhida"

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Sempre fico feliz quando minhas amigas-leitoras falam dos livros no Facebook. Muito obrigada, Celeide