Jennifer McMahon - Prisioneiros do Inverno

quarta-feira, setembro 14, 2016

Jennifer McMahon - Prisioneiros do Inverno


Ano: 2014
Páginas: 350
Idioma: português
Editora: Record

Sinopse:
Muitos acreditam que a pequena cidade de West Hall seja mal-assombrada. Ao longo de sua história, vários casos de pessoas desaparecidas foram registrados na região, mistérios nunca desvendados. Alguns moradores inclusive juram que o espírito de Sara Harrison Shea, encontrada morta em 1908, ainda vague pelas ruas à noite.
A jovem Ruthie acredita que tudo não passa de uma grande bobagem. Porém, quando sua mãe desaparece sem deixar vestígios, ela começa a desconfiar de que aquela região guarda algum mistério, e suas suspeitas são reforçadas quando ela e a irmã encontram uma cópia do diário de Sara escondido em casa. Na busca pela mãe, Ruthie encontra respostas perturbadoras, e ela pode ser a única pessoa capaz de evitar que um grande mal aconteça.

ANALISANDO...

Um bestseller pós-moderno de terror que, finalmente, traz conteúdo e mistério

Cansada de tantos livros adolescentes de terrorzinho aguado (sim, até os sobrenaturais teen mais badalados são melosos demais) e um tanto enjoada dos clichês infindáveis - menina bonitinha e diferente encontra rapaz estranhíssimo e diferentíssimo que, a certa altura do livro, descobrimos tratar-se de algum vampiro, lobo-homem, anjo mau e seres que vieram diretamente dos contos-de-fadas, parei um pouco com as leituras sobrenaturais. Desde a minha última tentativa com Stephen King (A Dança da Morte) e me descobrir sentindo certa náusea com tantas cenas de mau gosto (no sentido literal mesmo, pois certas cenas de sangue, vômitos, sexo selvagem e grotesco nem precisavam estar ali), eu estava pondo de lado as leituras de fantasias sobrenaturais e terror, já que não estava com sorte.

Então me arrisquei a ler Meg Cabot, pois a série "A Mediadora" (lida em áudio há uns 2 anos atrás) me prendeu. Acho a autora ágil e descomplicada e então li o primeiro livro da série "Abandono" e até que não foi ruim, apesar de ter uma trama absolutamente corriqueira e previsível.

Lendo a sinopse de Jennifer McMahon, fiquei intrigada e resolvi me dar uma segunda chance para outro romance sobrenatural, temendo me deparar com outro romance meio-adolescente-meio-adulto do tipo aguado. Foi, porém, uma gratíssima surpresa! O livro não é nenhum clássico do gênero, claro, mas tem várias facetas e todas elas são bacanas, separadas e complementares. Lembra mesmo uma pedra semipreciosa lapidada, pois as múltiplas facetas brilham com seu mistério e suas cores vibrantes de terror, morbidez e, vejam só que contraste: com romantismo, passagens doces, nostalgia e até mesmo, lirismo.
Quadro de Mabel Rollins Harris, "Mãe"

O livro tem de tudo; para os fãs dos romances históricos, ele é um prato cheio, pois que traz uma narrativa múltipla, em duas épocas: Passado (história de Martin, Sara e Gertie) e Presente (Ruthie e Katherine). As narrativas são entrelaçadas e, apesar de aparentemente caótica, a ordem da narrativa é perfeita: a ambientação e descrição dos lugares e das pessoas é minuciosa, as personagens são densas (poucos clichês), o enredo é perfeito e a temática, embora tenha raízes nos milhares de livros e filmes sobre zumbis e/ou criaturas artificialmente criadas como o velho e inigualável monstro de Frankenstein, ainda assim tem toques de uma originalidade que recende a frescor e novidade.

Os personagens são cativantes. Não posso deixar de sublinhar os meus favoritos e que parecem aureolados por um amor e uma ternura infinitas, a família Shea: Martin, Sara e sua filhinha Gertie. Toda a trama, todos os mistérios, toda a carga de tensão, de adrenalina,  e também de emoção e amor, nasceram ali. Talvez um pouco mais para trás no tempo: De uma mulher meio índia, meio branca, meio feiticeira, meio mãe, que criara Sara como filha. Mas depois o legado (ou seria maldição?) da velha Titia passou para Sara.

O destaque dessa família vai para o incomensurável amor de Sara pela filhinha Gertie, de oito anos. E de Martin pelas duas. Essa é uma descrição que traz o recorte da vida rústica do começo do século, na afastada e selvagem fazenda dos Shea:

"O sol começava a despontar por cima do morro, e a neve caía em grandes blocos felpudos. Ele afundou na neve fresca, que chegava até a metade de suas canelas, e percebeu que precisaria colocar raquetes de neve para ir até a floresta mais tarde. Seguiu caminhando com dificuldade, arrastando os pés desajeitadamente pelo jardim em direção ao celeiro, depois o rodeou e seguiu até o galinheiro. Alimentar as galinhas era uma de suas tarefas preferidas — ele gostava do modo como elas o cumprimentavam com pios e arrulhos, do calor dos ovos retirados das caixas que lhes serviam de ninho. As galinhas davam tanto e exigiam tão pouco em troca. Gertie dera um nome para cada uma: havia Wilhelmina, Florence a Grande, a Rainha Reddington e oito outras galinhas, mas Martin sentia dificuldade em acompanhar as historinhas estranhas que Gertie inventava para elas. Antes de uma raposa apanhar uma das galinhas, eles tinham uma dúzia completa delas. Em novembro passado, Gertie fez chapeuzinhos de papel para todas e lhes levara um bolinho de milho. “Estamos fazendo uma festa”, explicou ela a Martin e Sara, e os dois assistiram à filha encantados, rindo enquanto Gertie corria atrás das galinhas para tentar fazer com que o chapéu não caísse."

Mas a história também se passe nos dias de hoje, onde Katherine é uma mulher dividida entre uma vida insípida de viúva e mãe que perdeu o filhinho (também) e a mulher que quer sair dessa letargia. Descobrir o que aconteceu com seu marido, por que ele mentiu sobre sua última viagem, onde ele foi e por que.

Também temos a adolescente Ruthie, que mora na velha casa de fazenda em West Hall, a mesma casa onde moraram os Shea, com a mãe viúva e a irmãzinha Fawn. Outro mistério: A mãe de Ruthie desaparece e ela não conta à polícia, já que num caso desses poderia ser separada da irmãzinha. Mas os mistérios vão se acumulando durante a história toda...
Imagem: Pixabay

Onde estaria a mãe de Ruthie, talvez perdida entre os sombrios bosques que todos consideravam assombrados? Por que o marido de Katherine mentiu para ela e o que ele teria a ver com o mistério do Diário Secreto de Sara (um livro que fora publicado pelos parentes da falecida Sara Harrison)? Quem eram os dormentes, o que faziam, de onde vinham, o que significavam? Como todas aquelas histórias se entrecruzavam, o que tinham em comum?

Um livro que se lê com avidez, já que o mistério perdura e nos deixa intrigados. Também há uma carga de profunda nostalgia, que nos remete às tradições familiares, ao amor de um marido por sua esposa e filhos, e de como um homem pode ser capaz de tudo pela família que ama. 

Esse trecho é de uma carga emotiva intensa e dolorosa. Traz à tona uma reflexão sobre o papel do homem conservador e sua conduta de absoluta devoção à família, de absoluto amor à sua esposa e o qual, mesmo sem vislumbrar mais nada no horizonte, nenhuma esperança, nenhum pequenino raio de luz nas trevas que o engolfam, ainda é capaz de um sacrifício maior:

"Agora ia cambaleando, a respiração entrecortada enquanto arrastava-se pelo campo. Aquele maldito campo, onde nada jamais crescia. Ano após ano, ele havia arado, adubado e cuidadosamente semeado sementes que jamais vingavam, apesar de todos os seus esforços. [...]
Ele olhou para a casa que começava a surgir à sua frente, lembrou-se de quando carregou Sara porta adentro no dia de seu casamento. Do quanto estava apaixonado por ela. Sara, com seu cabelo ruivo rebelde e seus olhos brilhantes. Sara, que conseguia enxergar o futuro. Lembrou-se de quando ela, ainda garotinha, dissera a ele no pátio da escola: “Martin Shea, você é o homem com quem irei me casar.” De como ele lhe dera então aquela bola de gude boba. Ela ainda a guardava em uma caixinha junto com os dentes de leite de Gertie e um dedal de prata que havia pertencido à sua mãe.
Imagens da vida dos dois preencheram sua cabeça e seu coração: os Natais que passaram juntos; a vez em que foram dançar no salão em Barre e a roda da carroça quebrou no caminho de volta para casa, forçando os dois a passarem a noite dentro dela, aninhados embaixo de seus casacos, felizes. Havia lembranças dolorosas também. A perda dos bebês que Sara carregava dentro de si.[...]
— Sara — gemeu Martin enquanto passava pelo celeiro, os pés esmagando a neve. — Minha Sara. — Ele caiu e lutou para voltar a se levantar, deixando o chão branco manchado de vermelho, como um anjo de neve ferido."

Um livro que tem um desenvolvimento denso, tenso e comovente e um final cheio de suspense e revelações. Não imagine que será um final tradicional. 

É um final que surpreende, mas satisfaz plenamente, com a carga máxima de emoção e ansiedade, coisas raras num bestseller moderno.

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Paralisia do Sono: Doença, abdução ou ataque demoníaco?

quarta-feira, agosto 31, 2016


Paralisia do Sono: Doença, abdução ou ataque demoníaco?


Em uma busca pela internet relativa a problemas do sono, que tenho (hipersonia diurna), eu certa vez me deparei com um artigo interessante, do ponto de vista médico. Mas não só do ponto de vista médico, uma vez que a citação seguinte me chamou a atenção para um problema que eu lembrei de ter tido, há anos atrás.


Observando o texto, a frase "alucinações hipnagógicas" me chamou muito a atenção, bem como paralisia do sono. Eu tenho hipersonia diurna, mas quanto a alucinações, não, definitivamente não. Já o termo paralisia do sono me lembrou um site, o MUNDO TENTACULAR -- que eu aprecio muito, por seu conteúdo voltado aos amantes da fantasia lovecraftiana. Pois bem, no referido site havia lido um artigo[1] certa vez, que falava sobre os terrores noturnos de quem vivenciava a perigosa e assustadora paralisa do sono. Eu voltei ao site e reli todo o artigo. Fiz então uma rápida busca via Google e fiquei pasma! A dita cuja apresentava 350.000 resultados, vídeos dos mais diversos, artigos nos mais variados sites, blogs, revistas e fóruns, sem falar de grupos fechados e abertos em redes sociais!



Mas, pensei comigo, o que vem a ser essa coisa, afinal? O que li no MUNDO TENTACULAR tratava de um fenômeno aparentemente fantástico, que ao meu ver, se restringia a poucos casos. No entanto, pela pesquisa na net, a coisa estava muito mais epidêmica do que eu pensava.

Aquilo me incomodou e acessei YouTube, onde os resultados em português eram tão numerosos quanto os de outros idiomas. Assisti a alguns vídeos e de repente, me caiu a ficha. Sim, eu conheci esse fenômeno que há várias décadas atrás vivenciei de forma leve, não chegando a me sentir totalmente paralisada. E há um ano atrás, quase senti essa "coisa" em uma determinada noite, no meio da madrugada. Outro caso mais recente foi o de uma amiga minha, a quem chamarei de X (respeitando sua privacidade). 

Imagem: Pixabay

O caso de X. foi há coisa de poucos meses, e ela me relatou uma experiência aterrorizante durante a noite: Tendo ido dormir sozinha em um quarto da casa, que ficava nos fundos e, portanto, menos suscetível aos ruídos da rua, ela se deitou perto de duas da madrugada. Quando estava prestes a cair no sono, acordou na escuridão, com uma sensação de terror absoluto e abrindo muito os olhos para o lusco-fusco do ambiente em redor. Não conseguia se mover, nem um único músculo, apenas abrir e fechar os olhos. 

O terror a abalou, quando em meio aquela sensação de agonia, ela pressentiu algo ainda pior. E então ela viu uma sombra humana ou humanóide, saindo de um canto do quarto. Quis gritar, mas sua garganta estava trancada. Quis fugir, mas estava presa na cama! A sombra não tardou a saltar sobre ela, na cama e ela disse que sentiu, com absoluta nitidez e realismo, as mãos da "coisa" sobre seu pescoço. Ela não conseguia nem concatenar as ideias, tudo em que pensou foi:"Vou morrer, isso é o demônio e ele quer me matar".

Durante um tempo que lhe pareceu uma eternidade, ela lutou em pensamento para expulsar aquele terror de si, e em dado momento verbalizou, com voz muito fraca: "Em nome de Jesus, se afasta de mim".

Como que empurrado por vento fantasmagórico, a coisa se foi, instantaneamente. 

Ela conseguiu se mexer na cama, gritou e saiu correndo do quarto, convencida de que havia alguma assombração ou maldição na casa.

Esse relato me deixou -- a mim e a muitos amigos e parentes a quem ela relatou -- assustada. Eu só podia pensar em uma cena similar a essa: A do filme "A Hora do Pesadelo", em que Freddy Krueger, a assombração dos pesadelos, vinha para a realidade.

Entretanto, esse relato me fez relembrar outro, mais antigo ainda: O de minha irmã. Mas ela não chegou a visualizar nenhuma aparição, sentindo entrentanto, todos os sintomas clássicos do que hoje se convencionou chamar 'paralisia do sono'.

De acordo com a medicina e a psiquiatria, o fenômeno é uma reação fisiológica do nosso corpo, durante o sono REM[2]. Nesse estágio, algumas pessoas vivenciam sonhos vívidos e podem acordar em parte, ou seja: a pessoa está semi-consciente, entre o sono e a vigília. A paralisia seria uma espécie de 'defesa', para evitar que saiamos andando durante o sono (como acontece aos sonambúlicos).

Entretanto, tendo lido vários pareceres e sites médicos, eu não me convenci. Principalmente depois de ter assistido ao documentário da Netflix, "The Nightmare", de 2015. O documentário foi feito como se fosse um filme, com uma produção caprichada no que concerne aos personagens (entrevistados), aos cenários e aos efeitos especiais. Um tremendo filme de terror, e pior: real.


Porque o que aquelas pessoas vivenciaram (e ainda vivenciam) é totalmente real. O próprio diretor, Rodney Ascher, se diz vítima desse estranhíssimo fenômeno. Todos os entrevistados relataram experiências que vão do assustador Freddy Krueger ao tenebroso mundo de Cthulhu, de Lovecraft. E detalhe: nenhum deles, nem um único deles, relata uma experiência agradável, são todas horrendas. Algumas dolorosas. Outras, quase alucinantes. Um deles, não esqueço, relata que, o que no começo era apenas assustador, passou a ser uma tortura constante, desde que os "seres" (que ele descreve como alienígenas), passaram a usar instrumentos cirúrgicos para machucá-lo. E a dor que ele passa a sentir é absolutamente real!

Uma das entrevistadas, entretanto, a ÚNICA que 'curou-se' daquilo, foi uma nipo-americana que revelou: "Uma noite, muito assustada, em chamei o nome de JESUS". Parece que foi a única de todo o grupo a procurar uma igreja cristã e apegar-se a Deus, às preces e à fé. 

Eu fiquei impressionada com o documentário, pois jamais havia imaginado que tal fenômeno estivesse em tal estágio, tão comum e tão disseminado, a ponto de os especialistas afirmarem: "Uma em cada dez pessoas no mundo, tiveram ou terão uma experiência de paralisia do sono em sua vida". Óbvio que isso é, para mim que sou da geração 1980 (adolescente nos anos 80), uma novidade. Eu sempre conversei com meus pais, avós, tios e tias sobre histórias e "causos" de assombração, mas jamais, nunca, nenhum deles, nem conhecidos próximos, vizinhos, absolutamente NINGUÉM, tivera nenhuma experiência dessas (exceto minha irmã, uma única vez, nos idos de 1983). 

Hoje, tal fenômeno parece mais uma doença virulenta.

Alguns prints de comentários que coletei, apenas no YouTube:



Relembrei de algumas experiências similares que eu tive quando, aos dezenove anos, entrei para um grupo de gnósticos que seguiam os ensinamentos do "Mestre Samael Aun Weor". Isso foi no auge da 'new age', quando o esoterismo, as seitas místicas e orientalistas estavam em pleno vapor. As experiências, cujas técnicas eles me passaram, para fazer uma "projeção astral", "viagem astral" ou "efc"[3], não foram nada agradáveis. Eu me senti -- nas duas vezes em que tentei aquela bobagem -- presa em um mundo escuro e sinistro. Não cheguei a ver nada, felizmente. Mas também não quis mais saber daquilo: Estou muito bem aqui mesmo, onde estou. Não me interesso por nenhum tipo de exploração a "outras dimensões astrais".

                                                          Imagem: Pixabay

Pesquisando em livros esotéricos daquela época (alguns ainda tenho em minha estante), notei que alguns ocultistas se referiam ao 'mundo astral' como uma dimensão que se mescla à nossa[4], assim como a água molha a areia e mal a notamos. A "água" seria o mundo astral, envolvendo nossa dimensão com todos os seus seres, a maioria deles cheios de más intenções, alguns neutros, outros absolutamente diabólicos.

Pode até fazer sentido, pois se comparado ao que o Cristianismo nos ensina, realmente estamos cercados de demônios. Minha mãe, evangélica -- falecida em 1996 -- foi a pessoa da minha família que me ensinou as principais doutrinas cristãs. Inclusive, o poder da fé e da prece no combate aos inimigos: "Existem mais demônios em torno de nós, que nós não vemos, do que grãos de areia no mar", costumava ela me dizer. Naturalmente, à época eu pouco me impressionava com isso, mas às vezes pensava que ela poderia estar certa.

Um dia, entretida na leitura da ocultista (e que, hoje sei, uma seguidora das falsas doutrinas de Mme. Blavatsky), Dion Fortune, li um trecho em que ela relatava um ataque "astral"[5]. Curiosamente, é a mesmíssima coisa que anda ocorrendo hoje, com tantas pessoas, independente de credo, religião, ideologia, raça, país. 

Relembrei também, ao ver comentários de internautas que passam por isso e sofrem esse tormento constante, de outro livro, do ocultista Papus, onde ele ressalta a importância da prece e do nome de Cristo:

"A prece é a guarda soberana contra todos os malefícios. Se tens inimigos capazes de utilizarem forças astrais, é preciso orar por eles e pedir ao céu que os ilumine e os reconduza ao caminho do bem. Se não são conhecidos os autores dos malefícios, é preciso, ainda assim, pedir para eles a proteção invisível, em vez de os oprimir com ódio e maldições, processo de feiticeiros vulgares e mal sucedidos.
O salmo 31 é de uma eficácia extraordinária contra todas as ações astrais. Em uma luta contra uma ação astral, é necessário evitar dizer mal dos ausentes e procurar, tanto quanto possível, afastar de si pensamentos e palavras maledicentes. A prática da caridade é indispensável, o tipo de caridade que faz alguém adiar seus próprios interesses para socorrer alguém que sofre com verdadeira urgência de auxílio. O fato é que, forças astrais, sem exceção, se prosternam diante do nome de Cristo, mesmo quando este nome é pronunciado por um pecador ou espírito mau. Invocar o auxílio do Cristo dissipa as más forças como o sol dissipa nuvens ligeiras. Recorra-se portanto à prece pois nada pode resistir à sua ação."[6]

Tudo isso me deixou muito impressionada e estive trocando ideias com minha amiga e também escritora, Pat Kovacs, que me explicou as teorias do Espiritismo para explicar as viagens ou projeções astrais, as formas como ocorrem, o que podemos fazer para evitar os "ataques", etc. 

De tudo o que pesquisei e com todas as informações coligidas, cheguei à conclusão de que quase todas as doutrinas espiritualistas (embora o esoterismo gnóstico lance muitas falsas premissas),principalmente a doutrina cristã e a espírita, tem uma coisa em comum: Vivemos em mundos que se interpenetram -- físico e espirituais. Mas o que mais se aproxima do físico é, infelizmente, o negativo -- inferno, baixo astral, elemental, ou como queiram chamar a isso.

Em outra pesquisa, acabei caindo em um assunto que, aparentemente nada teria a ver com essas coisas, com esses fenômenos assustadores: O famoso CERN, onde está o Grande Colisor de Hádrons[7] e onde, ao que parece, os cientistas querem descobrir, através dele, a antimatéria ou a 'partícula divina', a que originou o Big Bang. Um comentário de um visitante casual no YouTube me chamou a atenção: "Não me admira que todos esses cientistas do CERN sejam pagãos... dizem que vão abrir buracos negros ou 'portais para outras dimensões'. Para mim, vão abrir os portais do inferno"!

Isso me deu certa curiosidade, confesso. Não que eu acredite que cientistas humanos vão trazer demônios para nossa realidade material -- uma vez que, de certa forma, estes últimos já estão em toda parte. Mas até vale a pena dar uma conferida no vídeo de Timothy Alberino[8] e sua teoria sobre a verdadeira finalidade do Grande Colisor de Partículas.

Deixo aqui o link para vocês assistirem, se quiserem. E tirarem suas próprias conclusões. 


A tempo: Para os que quiserem se sentir mais protegidos, aconselho muito (já tendo conversado com muita gente sobre isso e concluído que os resultados são os melhores)a oração, a procura por Deus, por Jesus Cristo e pelos Anjos Celestiais. Se você é cristão, compreenderá. Se não for e quiser tentar, experimente para depois tirar suas conclusões. Um vídeo que considero muito bom, é o do Padre Duarte Sousa Lara[9] (exorcista), que tem um canal próprio no Youtube. 




Se você é agnóstico ou ateu, talvez conversar com um neurologista e/ou psicólogo e passar por uma bateria de exames, possa ajudá-lo a esclarecer se seu problema é realmente alguma desordem fisiológica. Ou não...

Na bibliografia abaixo, todas as obras consultadas e vídeos pesquisados.

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NOTAS

[1]http://mundotentacular.blogspot.com.br/2013/10/paralisia-do-sono-o-horror-de-se-viver.html
[2]Sigla inglesa para 'Rapid Eye Movement' (movimento rápido dos olhos), fase do sono em que temos os sonhos mais vívidos e intensos.
[3]Sigla para "experiência fora do corpo".
[4]C. W. Leadbeater. O Plano Astral. vols. Pensamento, 1988
[5]Fortune, Dion. Autodefesa Psíquica - Como se defender dos ataques de natureza psíquica desencadeados contra nós. Pensamento, 2002.
[6]Papus. “A Prece e o Nome de Cristo.” In Tratado Elementar de Magia Prática. São Paulo: Pensamento, 1995.
[7]Hádrons: Uma família de partículas subatômicas feita de quarks e unida por uma interação nuclear forte.
[8]The Alberino Analysis,YouTube, 2016.
[9]Pe. Duarte Lara: https://www.youtube.com/user/duartesousalara
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BIBLIOGRAFIA

Analysis, The Alberino. “O grande plano oculto, colisor de partículas.” Vídeo do YouTube. Traduzido por Despertar do Espírito Livre. Timothy Alberino, 2016.

Ascher, Rodney. “The Nightmare.” EUA: Netflix, 2015.

C. W. Leadbeater. Auxiliares Invisíveis. vols. Pensamento, 2001.

C. W. Leadbeater. O Plano Astral. vols. Pensamento, 1988.

C. W. Leadbeater. Salvo por um Espírito - Histórias Verdadeiras do Mundo Oculto. Pensamento, 1991.

Cheyne, J. A. Recurrent Isolated Sleep Paralysis.  Amsterdam: Elsevier, 2009.

Fortune, Dion. Autodefesa Psíquica - Como se defender dos ataques de natureza psíquica desencadeados contra nós. Pensamento, 2002.

Justus, Luiza. “O que é a paralisia do sono?” Revista Mundo Estranho, Jan. 2014. Disponível: http://mundoestranho.abril.com.br/saude/o-que-e-a-paralisia-do-sono/.

Lara, Pe. Duarte Sousa. “A ação do demónio.” Vídeo do YouTube. Duarte Sousa Lara, 2016. Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=GMsxw00BCmU.

Lara, Pe. Duarte Sousa. “1. Sonhar com demônios 2. Água, sal e óleo abençoados.” Vídeo YouTube. Duarte Sousa Lara, 2016. Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=op3qTU2WVSY.

Nerdologia. “POSSESSÃO, ABDUÇÃO OU PARALISIA DO SONO?” Vídeo YouTube, n.d. Online. Internet. 28 Aug. 2016. . Disponível: https://www.youtube.com/watch?v=VZrQODHklJk.

O Consolador. "Criações Fluídicas e Ideoplastia" - Revista 'O Consolador', estudo sistematizado da doutrina espírita, Jan. 2009. Disponível: http://www.oconsolador.com.br/ano2/89/esde.html

Papus. “A Prece e o Nome de Cristo.” In Tratado Elementar de Magia Prática. São Paulo: Pensamento, 1995.

Powell, Arthur E. O Plano Astral. Pensamento, 1988.

Televisão, Rede Globo de. “Entenda como funciona a paralisia do sono,” 2016. Disponível: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/04/entenda-como-funciona-paralisia-do-sono.html.

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David Zurdo e Ángel Gutiérrez - 616 - Tudo é inferno

domingo, agosto 21, 2016


David Zurdo e Ángel Gutiérrez - Tudo é inferno

Ano: 2007 / Páginas: 302
Idioma: português 
Editora: Planeta do Brasil


Sinopse:
Não se engane. O Diabo pode ter muitas formas e números, mas o original é 616, atribuído ainda antes dos Evangelhos... Desde "O Exorcista" não se via um romance tão assustador como este. Tudo começa com a exumação do corpo de um padre: todos os seus ossos estão quebrados. Gravada a unha na parede interna de seu caixão a frase enigmática 'TUDO É INFERNO'. O que o santo padre quis dizer? Por via das dúvidas, é melhor prestar atenção ao que o velho Daniel sussurra com voz grossa e bafo quente... O próprio Maligno parece falar por estas páginas. Com 616: Tudo é Inferno, David Zurdo e Ángel Gutiérrez elevam o terror e o suspense a sua melhor forma. Boa sorte. 

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ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS ONDE ANOTO EM VERMELHO

David Zurdo e seus abZurdos...

A primeira coisa que notei no e-book (claro que eu não compraria um bestseller sem antes conferir se valia a pena...), foi a escrita bastante simplista, o roteiro que mistura aventura, ação, investigação (no caso aqui, de um padre) e um suspense. 

Imaginei, ao ler a sinopse, que fosse o caso de outro livro no estilo de "O Exorcista" -- outra tentativa de descreditar a fé católica, como alguns críticos literários mais conservadores notam nesse tipo de literatura de horror. De fato: eu li "O Exorcista" e, embora aquilo mexa com nossos nervos de forma negativa e ponha em cheque a fé de qualquer pessoa normal, o livro parece ter um objetivo implícito no papel 'fraco' desempenhado pelo personagem do padre exorcista. Esse objetivo (e isso se repete ad nauseam em toda literatura moderna que tenha a Igreja Católica como componente da trama) parece ser o de desacreditar toda forma de fé em Deus, em seus sacerdotes, nos ritos sagrados e no poder de tudo o que santo e puro.

Com o livro aqui ("Tudo é inferno") não foi diferente. Há a mesma tentativa de desacreditar o que é santo, o que é caro ao cristão, e isso não se restringe ao Catolicismo, mas a todas as religiões embasadas nos ensinamentos de Jesus Cristo.


Não é uma leitura que valha a pena, mas eu comecei a ler porque alguns skoobers (leitores membros da comunidade Skoob) fizeram alusão a livros tomados de empréstimo à bibliotecas públicas e rabiscados com a palavra "blasfêmia" e outras do gênero. 

Naturalmente isso espicaçou minha curiosidade: quero ler essa bagaça e ver o que sai daí... depois, vou falar tudo o que é isso, de verdade.

O estilo é fraquíssimo (se é que aquela narrativa plana, insossa, pode ter algum estilo); os personagens rasos, rasíssimos (até os de "O Exorcista" são superiores). O que salva a coisa toda é apenas o mistério que cerca o tema central, sendo esse uma frase, especialmente desagradável, capaz de suscitar o medo nas almas mais empedernidas: "Tudo é inferno". De início, se imagina tratar-se de alguma história apocalíptica, mas não. É coisa pior, muito pior.


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E AGORA VEM SPOILERS, se você ainda pretende ler a porcariada toda, pare por aqui...
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Não se trata de nenhum livro das dimensões (negativas, aliás) de "O Exorcista", como alguns ingênuos chegam a supor. Tem muita negatividade, isso lá tem. Mas não é obra literária, coisíssima nenhuma, é um bestseller muito chinfrim, cujo autor teve a (péssima) idéia de colocar Cristo e o Deus cristão, não como seres plenos de poderes e pureza sacrossanta, mas como "perdedores" na luta contra Lúcifer. Uns escritores bem atrevidos esses dois, façam-me o favor! A gente começa a ler, e depois de uma altura, resolve continuar para ver até onde chegaria o atrevimento dos autores. Atrevimento bobo, mas que pode até, de certa forma, agir como desagradável balde de água gelada sobre almas mais fracas. 

Decerto que os cristãos mais fervorosos parariam no ponto em que ele se comunica via "gravador" com o demônio, e este dá as "pistas". O pobre padre cai na maior depressão ao descobrir que "todas as almas humanas, puras ou impuras, vão para o inferno"... que tudo é inferno... que Deus, o Ser Supremo, na verdade perdeu a "Guerra dos Céus" e Lúcifer, o "filho rebelde" é desde sempre, quem guia a humanidade. Sim, isso mesmo. Parece uma piada de mau gosto, mas essa foi a "grande ideia" desse autor...

Pois bem, o supra-sumo da idiotice chega quando, no final da história, o padre está à beira do miserê mais profundo. Mas, como homem destinado por... por quem, mesmo? Já que Deus aqui no livro não tem mais poder, quem o predestinou a ser o novo 'redentor'? Pois não sei.




Mas eis que o padre perdido e desolado tem, nos últimos anos de sua vida, um ato de "bravura e amor incondicional" ao salvar uma garotinha de um acidente. Muito bonito, sim, de fato... E, graças a esse ato de bondade profunda, o "poderoso" Inimigo, Satã, se sente comovido, chora, se redime... e volta às boas com o Pai Celestial, acabando desta forma, com o inferno eterno e total.

Um final feliz. Menos mal, porém não torna por isso o livro mais feliz. 

É uma nova tentativa de desarraigar a fé cristã, mais uma tentativa de desiludir as pessoas e, de quebra, ainda ganhar algum dinheiro com esse best-seller "de terror" e sua temática absurda, sua trama água-com-açúcar e seus personagens rasos e fracos. 

Como eu já mencionei anteriormente, é um livro deprimente (com cenas onde abundam acidentes, personagens doentes, quase à morte, crianças abusadas e maltratadas horrivelmente, gente que luta contra mazelas em vão), com uma narrativa pobre, cenários descritos com a maestria de uma criança em suas primeiras redações e uma trama de mistério frágil. 

E que leva do nada a lugar nenhum.

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Gillian Flynn - O Adulto

domingo, agosto 21, 2016

Gillian Flynn - O Adulto
Ano: 2016 / Páginas: 64
Idioma: português
Editora: Intrínseca


Sinopse: "Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e tristes.

Certo dia, ela atende Susan Burkes, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação.

No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que há alguma chance.

Em seu estilo inconfundível que arrebatou milhares de fãs, Gillian Flynn traça surpreendentes e intrigantes perfis psicológicos dos personagens e tece uma narrativa repleta de suspense ao mesmo tempo em que brinca com elementos clássicos do sobrenatural." -- meu grifo acima, explico: que estilo? Inconfundível? Só se for no quesito imoral, ridículo e rasteiro.
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Eu li a resenha de outro livro dessa péssima autora de bestsellers, feita pela amiga Pat Kovacs AQUI e nunca passou-me pela cabeça ler nada dessa mulher.

Esse conto, entretanto, se lida a sinopse, parecia diferente: uma "história que é uma homenagem às clássicas histórias de terror." Ora, está aí o que eu gosto, histórias clássicas de terror, como as de Henry James, Peter Straub, Edward Bulwer-Litton, Lovecraft... mas, saindo da cabeça dessa 'autora exemplar', será que presta?

Fui em frente e comecei a ler (ebook). Uma protagonista que é uma... bem, não existe palavra em português (e talvez nem em inglês) para descrever a profissão dela... digamos apenas que era uma mulher que vivia de 'pequenas fraudes' (para mim, fraude é fraude, não existem pequenas ou grandes). Uma vigarista. Uma mentirosa. Uma trapaceira. E de quebra, uma expert em bater punhetas para homens solitários... é bem grotesco isso, mas nada que se compare à moral e aos objetivos intrínsecos que ela acalenta.

Imagem: Pixabay

Surge uma cliente diferente, que a paranormal fake, dona do estabelecimento onde a moçoila trabalha, lhe empurra. "Vire-se e trate de engambelar bem essa dona, ricaça e problemática", mais ou menos isso o que se imagina diante da cena.

E lá vai a picaretona, tentar embromar a mulher rica e com uma suposta "casa assombrada". Quase tudo o que os 'clássicos' livros sobre fantasmas tem, esse continho chinfrin tem -- no diminutivo mesmo. Uma protagonistinha bancando a detetive paranormal, um enredinho que envolve crianças, um fantasminha, uma mulherzinha assustadinha. Só que não tem o essencial: a verdade, um estilo decente, uma protagonista inesquecível, um mistério assustador e um final fantástico.

Para quem vai se aventurar e ler essa grotesca paródia de história sobrenatural, fique sabendo apenas que: não, não é um conto clássico de fantasmas. É uma subversão, isso sim, das histórias clássicas, já que tem tudo ao contrário. A protagonista é uma farsante do início ao fim, a vítima dos 'seres do além' é rasa, quase sem personalidade. O outro personagem, o menino mau, é uma confusa versão pós-moderna do garoto (esse sim, um personagem inesquecível) Miles, de "A Volta do Parafuso" de Henry James. Um tipo confuso, uma massa amorfa, do qual se apreende apenas o básico: sua inteligência adulta. E só.

Um conto que não tem sequer a serventia básica desses livrecos modernos: o de entreter ou passar uma mensagem positiva, otimista, de alegria ou esperança. Além disso, o final pareceu desmanchar tudo o que o suspense anterior havia criado. Um super "NÃO RECOMENDO" para esse besteirol.



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Cristin Terrill - Todos os nossos ontens

quarta-feira, julho 20, 2016



Cristin Terrill - Todos os nossos ontens

Destrua o passado para salvar o seu futuro 

Ano: 2015
Páginas: 352 
Idioma: português  
Editora: Novo Conceito 
 
Sinopse: 
O que um governo poderia fazer se pudesse viajar no tempo? 
Quem ele poderia destruir antes mesmo que houvesse alguém que se rebelasse? 
Quais alianças poderiam ser quebradas antes mesmo de acontecerem? 
Em um futuro não tão distante, a vida como a conhecemos se foi, juntamente com nossa liberdade. Bombas estão sendo lançadas por agências administradas pelo governo para que a nação perceba quão fraca é. As pessoas não podem viajar, não podem nem mesmo atravessar a rua sem serem questionadas. O que causou isso? Algo que nunca deveria ter sido tratado com irresponsabilidade: o tempo. O tempo não é linear, nem algo que continua a funcionar. Ele tem leis, e se você quebrá-las, ele apagará você; o tempo em que estava continuará a seguir em frente, como se você nunca tivesse existido e tudo vai acontecer de novo, a menos que você interfira e tente mudá-lo... 
 
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Análise... 
 
"Todos os nossos ontens" é uma fantasia para jovens adultos, mas que serve perfeitamente à distração de adultos, de qualquer idade.  
 

Quando comecei a leitura, pouca coisa me chamou a atenção, exceto o fato de a temática envolver viagens no tempo e isso, por acaso, ser um dos meus temos favoritos. Portanto, o início do livro parecia como qualquer outra distopia dos chamados 'romances teen', que sempre contém a mesmíssima fórmula - uma garota, um garoto, várias amigas e amigos de ambos, os pais (na grande maioria problemáticos, talvez porque os autores querem enfatizar a ótica adolescente dos seus progenitores) e algumas aventuras.  
 
Estas aventuras sempre envolvem romances entre os rapazes e as mocinhas, triângulos amorosos, um impasse, um conflito, um vilão (ou vilã), uma separação e... um reecontro, logicamente. A mesma fórmula usada, há anos, para fisgar leitoras adultas com seus romances "cor-de-rosa", só que agora usando uma roupagem própria para a molecada dos 13 aos 18 - ou mais, conforme o gosto... 
 
Pois bem, voltemos ao livro 'teen' sobre viagem no tempo. O que me fisgou foi o desejo de ler alguma coisa leve e curiosa, misteriosa e perigosa, sem ser claustrofóbica, pesada e doentia, como estão ficando os últimos livros de Stephen King - que tenho deixado pela metade, ultimamente.  
 
O romance tem DUAS protagonistas (aparentemente): Em, uma garota que vive num futuro próximo; E Marina, uma garota mais nova, que vive no hoje, no presente. E dois rapazes, James e Finn, sendo que apenas Finn está nesse suposto 'futuro próximo'. 


 
A história começa pesada -- para um livro teen -- mas bem light, para quem já encarou "O Cemitério Maldito" de Stephen King. Portanto, uma jovem, Em, está metida numa cela sendo torturada todos os dias e noites por um grupo da polícia secreta do governo. Ou melhor, do estado totalitário em que os EUA se tornarão no futuro. 
 
O desenvolvimento da trama é rápido, embora haja excesso de diálogos que embolam o deslizar mais suave e o encadeamento de fatos. Além disso, achei um pouquinho cansativos os flashbacks que, a todo instante Em e Finn sofrem no decorrer de sua épica aventura através do tempo. 
 
Não é algo comparável, por exemplo, à trilogia inesquecível de "De Volta para o futuro", mas um livrinho agradável, um romance curioso e distração bem-vinda numa tarde chuvosa, fria ou quente demais, quando você quer relaxar a cabeça e mergulhar numa aventura diferente. 
 
O livro tem muitos clichês, mas seu forte são os assim chamados "paradoxos" -- se você ler alguma teoria de modernos físicos que analisam viagens no tempo (embora eu jamais acredite nelas, exceto como fantasia), verá que o significam. O livro tem muitos, apesar da teoria do 'Doutor', um personagem vilão, o construtor de Cassandra, a máquina, dizer que "o tecido do tempo pode não suportar um paradoxo"... mas suportará. E isso vai tornar o enredo mais divertido, uma vez que foram poucas as tramas de 'viagens no tempo' em que me deparei com um dos personagens vendo a si mesmo no passado (ou no futuro). 


 
Foi uma boa leitura, divertida e com um final que agradará aos jovens leitores. 
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